Título

Revelando a Marambaia: uma prática participativa de Educação Ambiental com pequenos produtores rurais na APA Costa de Itararé - Serra Grande

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente
Nome do(a) autor(a)
Júlia Maria Salomão Pereira
Nome do(a) orientador(a)
Denise César Homem Del Rey
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2001
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Esta dissertação apresenta os desafios enfrentados na luta pela sobrevivência por uma comunidade rural - Assentamento de Reforma Agrária "Marambaia", inserida na Área de Proteção Ambiental - Apa Costa de Itacaré-Serra Grande. A pesquisa teve a intenção de compreender como os pequenos produtores rurais (assentados) da Marambaia se relacionam com o meio ambiente, como percebem as influências de uma unidade de conservação (APA) em seu ambiente de vida e de orientar a busca de soluções para a melhoria da sua qualidade de vida. O interesse pelo tema surgiu da experiência como socióloga, no exercício da prática profissional no Centro de Recursos Ambientais - CRA, cujas funções são desenvolvidas na APA Costa de Itararé - Serra Grande, voltadas principalmente para as ações de Educação Ambiental, envolvendo os segmentos sociais na área de abrangência da APA. Das preocupações surgidas sobre a necessidade de estimular a participação e mobilização das comunidades para uma efetiva gestão participativa consideramos relevante a realização de uma pesquisa junto a um grupo localizado na APA, tendo como estudo de caso um assentamento de reforma agrária, situado próximo à cidade de Itararé e que se insere na referida APA. Para tanto, optamos pela adoção da pesquisa-ação, entendida como uma estratégia metodológica da pesquisa social, pois, além da participação dos pesquisadores, condição fundamental de investigação, quando os "pesquisadores não querem limitar suas investigações aos aspectos acadêmicos e burocráticos da maioria das pesquisas convencionais", conforme colocado por Thiollent, 1995, buscou-se não apenas uma intervenção conjunta na área, através de levantamento de dados, ou de relatórios destinados a arquivo, mas, de uma relação de diálogo entre o pesquisador (saber científico) e os pesquisados (saber popular) em todo processo da produção de um novo conhecimento, a partir da prática coletiva e da aproximação da teoria e a prática. Consideramos que a pesquisa-ação se constitui, também, em uma das estratégias de Educação Ambiental nos assentamentos de reforma agrária, pois consiste em gerar na comunidade um processo de auto-diagnóstico e autotransformação, com vistas não somente a conscientização dos seus problemas e do conhecimento de suas causas, mas do levantamento de propostas e soluções para as necessárias mudanças. Na aplicação desta metodologia de pesquisa-ação, a pesquisadora e os pesquisados (assentados) exercem relevante papel enquanto seres ativos e participantes no processo de mudança de percepção e na atitude dos assentados perante seus problemas ambientais, que de certa forma influenciam nas suas condições de sobrevivência. Por outro lado, a opção pela abordagem participativa permite o aumento de poder da comunidade, uma espécie de empoderamento, através de um trabalho coletivo que se constitui em grande parte das iniciativas, objetivos e interesses definidos pelos sujeitos envolvidos no processo, bem como da sua competência e de reconhecimento, com direito à voz, pelos representantes do poder no processo de tomada de decisões em relação às políticas públicas relacionadas à conservação ambiental. Através do aprendizado da relação entre o saber científico e o conhecimento empírico que a pesquisa-ação estabelece, tornam-se capazes de não apenas discernir os reais objetivos locais daqueles derivados da "falsa consciência" dos problemas e das suas soluções, como também relacioná-los com os objetivos globais. A pesquisa reflete a articulação entre o aprofundamento teórico adquirido durante todo o Curso de Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente e as experiências práticas vivenciadas junto à comunidade rural da Marambaia.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
15/12/2014