Título
Revelando a Marambaia: uma prática participativa de Educação Ambiental com pequenos produtores rurais na APA Costa de Itararé - Serra Grande
Esta dissertação apresenta os desafios enfrentados na luta pela sobrevivência por uma comunidade rural - Assentamento de Reforma Agrária "Marambaia", inserida na Área de Proteção Ambiental - Apa Costa de Itacaré-Serra Grande. A pesquisa teve a intenção de compreender como os pequenos produtores rurais (assentados) da Marambaia se relacionam com o meio ambiente, como percebem as influências de uma unidade de conservação (APA) em seu ambiente de vida e de orientar a busca de soluções para a melhoria da sua qualidade de vida. O interesse pelo tema surgiu da experiência como socióloga, no exercício da prática profissional no Centro de Recursos Ambientais - CRA, cujas funções são desenvolvidas na APA Costa de Itararé - Serra Grande, voltadas principalmente para as ações de Educação Ambiental, envolvendo os segmentos sociais na área de abrangência da APA. Das preocupações surgidas sobre a necessidade de estimular a participação e mobilização das comunidades para uma efetiva gestão participativa consideramos relevante a realização de uma pesquisa junto a um grupo localizado na APA, tendo como estudo de caso um assentamento de reforma agrária, situado próximo à cidade de Itararé e que se insere na referida APA. Para tanto, optamos pela adoção da pesquisa-ação, entendida como uma estratégia metodológica da pesquisa social, pois, além da participação dos pesquisadores, condição fundamental de investigação, quando os "pesquisadores não querem limitar suas investigações aos aspectos acadêmicos e burocráticos da maioria das pesquisas convencionais", conforme colocado por Thiollent, 1995, buscou-se não apenas uma intervenção conjunta na área, através de levantamento de dados, ou de relatórios destinados a arquivo, mas, de uma relação de diálogo entre o pesquisador (saber científico) e os pesquisados (saber popular) em todo processo da produção de um novo conhecimento, a partir da prática coletiva e da aproximação da teoria e a prática. Consideramos que a pesquisa-ação se constitui, também, em uma das estratégias de Educação Ambiental nos assentamentos de reforma agrária, pois consiste em gerar na comunidade um processo de auto-diagnóstico e autotransformação, com vistas não somente a conscientização dos seus problemas e do conhecimento de suas causas, mas do levantamento de propostas e soluções para as necessárias mudanças. Na aplicação desta metodologia de pesquisa-ação, a pesquisadora e os pesquisados (assentados) exercem relevante papel enquanto seres ativos e participantes no processo de mudança de percepção e na atitude dos assentados perante seus problemas ambientais, que de certa forma influenciam nas suas condições de sobrevivência. Por outro lado, a opção pela abordagem participativa permite o aumento de poder da comunidade, uma espécie de empoderamento, através de um trabalho coletivo que se constitui em grande parte das iniciativas, objetivos e interesses definidos pelos sujeitos envolvidos no processo, bem como da sua competência e de reconhecimento, com direito à voz, pelos representantes do poder no processo de tomada de decisões em relação às políticas públicas relacionadas à conservação ambiental. Através do aprendizado da relação entre o saber científico e o conhecimento empírico que a pesquisa-ação estabelece, tornam-se capazes de não apenas discernir os reais objetivos locais daqueles derivados da "falsa consciência" dos problemas e das suas soluções, como também relacioná-los com os objetivos globais. A pesquisa reflete a articulação entre o aprofundamento teórico adquirido durante todo o Curso de Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente e as experiências práticas vivenciadas junto à comunidade rural da Marambaia.