Título
Representação social dos catadores do lixão de Campina Grande
Este estudo busca evidenciar as representações sociais dos catadores do lixão de Campina Grande - PB acerca do ambiente onde vivem e/ou trabalham, da profissão catador, dos atores externos implicados ao grupo como apoios e/ou assessores e atravessadores, das relações interpessoais e sócio-profissionais de comercialização, das formas como se organizam, e por último, da escola/educação. Através de procedimentos qualitativos de observação e entrevistas, tivemos a participação de seis catadores. Os dados obtidos evidenciam-nos várias representações. Para aqueles sujeitos, a complexidade socioambiental do lixo/lixão está relacionada à sobrevivência, mas também, a precariedade ambiental e sócio-relacional, como consequência, a vulnerabilidade e/ou riscos, fragilizando a qualidade de vida. O “ser catador” significa ser trabalhador, ansioso na perspectiva de reverter-se estigma e preconceito por reconhecimento e inserção social. Apoios/assessorias representam um divisor de águas no processo de organização do grupo, mas também, dependência e assistencialismo. O atravessador, pelo tempo de atuação e por práticas como adiantamento de dinheiro, representa certa dependência dos catadores por esse (atravessador), muito embora, as representações também sejam reveladoras de atitude de desconfiança e apatia em relação a esse. Relações comerciais ainda marcadas por exploração de um lado, e de outro, por práticas ilícitas de adulteração de produtos comercializáveis a partir de certos catadores. Quanto às formas de organização, no tocante aos seus objetivos e definições, em geral, as representações revelaram relativo conhecimento, embora, pouca segurança do ponto de vista prático e/ou vivido pelos catadores, contudo, apontaram melhorias significativas após tais iniciativas. A instrução e/ou escola representa, em síntese, ascensão social, melhoria cotidiana e de compreensão do mundo, profissionalização.