Título
Análise e reflexão sobre a prática da Educação Ambiental em instituições de ensino médio: uma comparação entre a escola pública e a particular
A qualidade ambiental do nosso planeta tem sido deteriorada rapidamente e esse prejuízo é provocado principalmente pelos fatores econômicos e políticos, por conseguinte é urgente o desenvolvimento de medidas de sensibilização em relação a essa questão. Tais medidas devem ser iniciadas juntamente ao processo de ensino e aprendizagem, portanto a escola deve ter participação ativa no desenvolvimento de propostas educacionais e ações que levem a uma melhoria, não somente do nível cultural mas, da qualidade ambiental. A Educação Ambiental, mais do que um novo conhecimento, ou soma de conhecimentos, representa a possibilidade de renovação do próprio processo de conhecer, levando a uma relação equilibrada do ser humano consigo e com seu ambiente, objetivando a sustentabilidade do processo de desenvolvimento global. O público alvo foi formado por alunos na faixa etária entre catorze e dezesseis anos, normalmente cursando o primeiro ano do ensino médio, por pressupormos que os mesmos apresentem conteúdos relacionados às questões ambientais e suas implicações sociais, políticas e econômicas, ensinados nas disciplinas curriculares ministradas no ensino fundamental e adquiridos em suas experiências sociais. O trabalho foi desenvolvido em uma escola pública e em uma particular, com a finalidade de estabelecer comparações, entre um modelo e outro, verificando a contribuição dessas instituições na formação de conceitos relevantes do ponto de vista da Educação Ambiental. Os professores foram submetidos a um questionário para obtenção de dados referentes ao enfoque ambiental e a relação deste com as disciplinas curriculares. Os alunos foram submetidos a um outro questionário que buscou informações sobre o ambiente fora do espaço escolar, buscando identificar possíveis problemas ecológicos no entorno destes alunos, para verificar a percepção e a compreensão que têm de tais problemas. Também, foram avaliados os planos de ensino dos professores e os livros didáticos segundo o tipo e qualidade dos recursos pedagógicos. Verificou-se que não ocorre a prática interdisciplinar da Educação Ambiental e que as matérias ministradas pelos professores tanto da escola pública quanto da particular não são articuladas com o cotidiano dos alunos de modo a possibilitar a criação de uma consciência ambiental. Os professores têm uma visão limitada dos problemas ambientais e os livros didáticos pouco contribuem para o desenvolvimento de estratégias de caráter ambiental. Concluiu-se que, nas duas escolas analisadas não ocorre a prática da Educação Ambiental que conduza a sensibilização dos estudantes quanto aos problemas ambientais: os professores não têm claro a necessidade do desenvolvimento de estratégias que culminem em uma prática eficiente para a formação de cidadãos críticos, que possam cumprir sua função social; os planos de ensino não se fundamentam em aspectos do cotidiano e do entorno dos estudantes; os livros didáticos negligenciam as realidades locais, e utilizam linguagens de difícil acesso para os estudantes; é necessário rever os métodos tradicionais e selecionar, dentre esses métodos, os mais favoráveis às práticas que conduzam a uma leitura correta das realidades locais, tanto do ponto de vista sociopolítico quanto ambiental; é preciso desenvolver novas estratégias educacionais, elaborar materiais didáticos condizentes com as realidades locais, preparar melhor os professores e explorar a grande potencialidade dos estudantes, para que se atinja o desenvolvimento sustentável.