Título

Educação Ambiental e o trabalho com valores: olhando para os animais não humanos

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Janaina Roberta dos Santos
Nome do(a) orientador(a)
Dalva Maria Bianchini Bonotto
Ano de defesa
2009
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Consideramos imprescindível questionar os atuais valores atribuídos aos animais não humanos por nossa sociedade, resultado de uma perspectiva utilitarista pela qual são valorizados predominantemente como recursos, sem reconhecimento e respeito pela “outridade” desses seres. Voltando-nos para o período histórico denominado renascimento, refletimos sobre o momento em que o humanismo ganhou força e influenciou de forma efetiva o modo como os seres humanos passariam a se relacionar com o meio ambiente e, consequentemente, com os animais não humanos. A partir dessa reflexão partimos em busca do tratamento dado ao tema dos animais não humanos nas escolas, buscando verificar as possibilidades, nesses espaços, de revisão desses valores, que possibilitem a construção de outras formas de relação entre humanos e não humanos. Este trabalho tem como objetivo investigar as valorações atribuídas aos animais não humanos por professores das séries iniciais do ensino fundamental ao trabalharem com a temática ambiental em que os mesmos são abordados, caracterizando as formas como essa valoração é materializada em suas práticas. Realizamos uma pesquisa de caráter qualitativo, investigando professoras envolvidas em um projeto extracurricular relativo ao tema fauna, desenvolvido em uma escola de uma cidade do interior paulista no ano de 2007. Os dados foram coletados a partir de questionários, entrevistas e documentos. A análise dos dados revelou a existência de duas grandes tendências: o antropocentrismo e o antropomorfismo. Dentre as professoras que apresentaram a tendência antropocêntrica, um grupo demonstrou uma perspectiva mais utilitarista, em que os seres humanos eram considerados superiores aos seres não humanos, e outro grupo apresentou uma perspectiva mais ecológica, em que a interdependência de todos os seres foi enfatizada. A tendência antropomórfica, na qual se concebe e se valoriza os animais não humanos a partir de características humanas dadas a eles, foi encontrada tanto em professoras que apresentam uma reflexão mais aprofundada sobre o tema, em que o antropomorfismo não ficava muito evidente, como em outro grupo de professoras, no qual se destacaram, além do antropomorfismo, uma visão romantizada da relação humano não-humano. Na análise dos documentos (livros produzidos pelas professoras), destacaram-se três tipos de linguagens empregadas na sua confecção: a linguagem científica, a linguagem artística e a linguagem mista, em que ambas apareceram. Nos livros em que a linguagem científica foi empregada, verificamos a apresentação dos animais não humanos como objetos de estudo, utilizando-se para tanto de uma abordagem descritivo/classificatória, evidenciando um distanciamento valorativo, ao contrário dos livros que apresentaram a linguagem artística. Nesses destacou-se a abordagem estética, com a exploração da beleza de cores, formas e textos empregados nos mesmos. Através dessa abordagem, em alguns livros os animais não humanos não foram relacionados a posicionamentos utilitários ou antropomórficos, mas apresentados a partir de suas formas diferenciadas, a serem apreciadas, a nosso ver uma alternativa importante para o trabalho educativo com os animais não humanos, que vai ao encontro do reconhecimento e valorização de sua "outridade".


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Área Curricular
Modalidade: Regular