Título
Mitos pantaneiros e africanos nos círculos de aprendizagens ambientais
Esta dissertação é resultado de uma pesquisa situada na área de Educação Ambiental, entrelaçada ao campo cultural do Candomblé, cuja investigação foi realizada no período compreendido entre os anos de 2006 a 2007, tendo como lócus a Baía de Siá Mariana, situada no distrito de Mimoso, município de Santo Antônio do Leverger, Mato Grosso. Foi estruturada em cinco capítulos, todos tendo como tema o círculo, inspirado no formato das baías e representações da natureza, além das expressões culturais de origem negra. Incorporamos aspectos como gestos, ritos e comportamentos utilizados pelos habitantes descendentes de africanos, como forma de valorizar seus antigos conhecimentos acumulados historicamente e que lhes permitiu agir sobre o território de maneira sustentável. Valorizamos, sobretudo, a narrativa de mulheres negras, levando-se em conta que a Educação Ambiental reconhece e defende as especificidades humanas, objetivando contribuir para a instauração de um processo educativo pautado na justiça social e ambiental e também pelo respeito à diversidade. Esta pesquisa questiona a modernidade, branca e machista, importada da Europa, que promoveu a fragmentação dos conhecimentos e a separação da mente e do corpo, difundindo valores e atitudes injustas e desiguais. Adotamos as narrativas míticas, particularmente aquelas voltadas à água doce, por consideramos que a carência de água que se vislumbra sobre a terra é consequência de um modelo civilizacional que concebe a natureza como recurso, negligenciando a dimensão espiritual e sagrada da água, presente na cultura de todos os povos e que, portanto, deve ser compartilhada com todos os seres vivos, garantindo o direito à vida e à diversidade biológica e cultural.