Título
A árvore na propriedade rural: Educação, Legislação e Política Ambiental na proteção e implementação do elemento arbóreo na região de Piracicaba/SP
Diante da contínua e crescente degradação das florestas e das dificuldades que a sociedade enfrenta no sentido de protegê-las e recuperá-las, este trabalho foi realizado com o intuito de contribuir para a valorização, proteção e implantação de árvores e florestas em propriedades rurais no município de Piracicaba/SP. Para tanto, efetuou-se uma pesquisa sobre a percepção que os produtores de uma microbacia hidrográfica da região - Microbacia Tamandupá, tributária do rio Corumbataí - possuem em relação ao elemento arbóreo e aos dispositivos de proteção ao mesmo, para que ao final, fossem propostas diretrizes para intervenções educacionais voltadas ao setor rural. Utilizando-se de contribuições conceituais e metodológicas advindas da Educação, Legislação e Política Ambiental, bem como das reflexões obtidas através de entrevistas com profissionais dessas áreas e da Extensão Rural, procurou-se construir um referencial teórico para analisar os dados de campo. Os resultados obtidos durante entrevistas realizadas junto ao público alvo foram analisados de forma qualitativa e quantitativa. Buscou-se também realizar a estratificação dos mesmos, ou seja, separar as respostas de acordo com algumas características socioeconômicas dos entrevistados e buscando identificar padrões entre estas respostas. A intenção era avaliar a percepção dos proprietários em relação ao elemento arbóreo e às leis, de modo a identificar padrões de respostas de acordo com o grau de escolaridade, a idade, o tamanho das propriedades e o fato dos proprietários residirem ou não no campo. Não foi possível afirmar que existem grandes variações de respostas que possam caracterizar estes grupos, mas apontam-se tendências que permitem afirmar, por exemplo, que os proprietários que residem no campo possuem maior identificação e afinidade com relação ao elemento arbóreo. Os dados obtidos contribuíram ainda, para a identificação de algumas frases bastante indicativas do pensamento, dos desejos e das opiniões dos agricultores, o que pode auxiliar na compreensão da realidade do setor e orientar trabalhos no sentido de instrumentalizar a tomada de decisões direcionadas à proteção ambiental. As conclusões alcançadas, durante o processo de pesquisa, permitem afirmar que o trato junto a produtores é complexo e necessita de dedicação e continuidade. Não se pode simplesmente abordar e fazer solicitações sem dar-lhes o devido retorno. Deve-se sempre propiciar a participação dos mesmos em todas as etapas de trabalho, e observar métodos múltiplos de abordagem e intervenções. Outras formas de abordagem são também necessárias, como por exemplo, as conversas informais, o contato via sindicato, a participação em eventos comuns a este público. Além disso, acredita-se necessário o envolvimento de outras pessoas e situações que podem influenciar na tomada de decisões (como caseiros, cônjuges, crianças, etc.). As intervenções educacionais devem ainda, contemplar procedimentos e conteúdos variados. Neste sentido, a promoção da sinergia entre Educação, Legislação e Política pode trazer grandes contribuições. A Educação deve instigar o questionamento, o debate e a tomada de atitudes, enquanto que as leis podem representar a efetivação de pactos entre as pessoas e possibilitar o exercício da crítica, além de direcionar a criação de políticas efetivas de proteção ao meio ambiente. Sendo assim, vale ressaltar que a despeito das dificuldades existentes neste processo de busca pela proteção e implementação do elemento arbóreo em propriedades rurais, existem possibilidades concretas de se reverter o quadro de degradação do ambiente que se observa na região e no mundo.