Título
Argumentos da teoria evolutiva da coexistência pacífica de interesse para Educação Ambiental: a paz solidária
Na teoria ambiental evolutiva da coexistência pacífica, anexada à dissertação, no lugar da luta competitiva pela sobrevivência e a visão darwiniana do mundo natural, defende-se que a vida, como sistema, evolui em forma pacífica e cooperativa. Na base dessa argumentação definiu-se a organização das comunidades naturais como um "sistema socioeconômico de coexistência pacífica". O ser humano trocou mais uma vez a história ao "aprender" a conviver no individualismo e na violência, fruto da evolução de uma organização social baseada na riqueza pessoal, a imposição das regras do mais forte e a desigualdade social, criando um "novo sistema socioeconômico de coexistência violenta". Não é a espécie homo sapiens que é violenta senão sua organização social, a qual evoluiu culturalmente aumentando gradualmente a coexistência violenta até atingir o grau de violência que caracteriza a sociedade contemporânea. Coloca-se o início da sociedade agrícola com a domesticação de espécies vegetais e animais, faz uns 12.000 anos, como importante referencial que criou as condições para desenvolver gradualmente o moderno sistema socioeconômico humano de coexistência violenta. Recentemente este sistema foi "cientificamente justificado" segundo o darwinismo social, usando falsos argumentos e diversos preconceitos da sociedade ocidental. A crise mundial ecológica e social que vivenciamos nesta virada de milênio resulta, em essência, deste desajuste entre a evolução da vida através de uma "paz solidária" baseada no benefício social, e a evolução cultural da sociedade humana através de um "egoísmo violento" baseado na ganância individual de riquezas materiais e a centralização do poder. Uma Educação Ambiental baseada em argumentos da teoria evolutiva da coexistência pacífica é o tema principal desta dissertação. A partir dos pressupostos de que "a violência da sociedade contemporânea evoluiu culturalmente" e de que "a natureza biológica humana é pacífica e solidária", propõe-se uma Educação Ambiental que procure reintegrar-nos ao sistema socioeconômico natural de coexistência pacífica. Nossa própria natureza pacífica e solidária facilitaria o processo, discordando neste ponto com a visão clássica do darwinismo social. O conceito de paz solidária utilizado refere ao estabelecimento de relações sociais e ecológicas positivas entre humanidade e natureza, procurando a conexão ecológica como o todo, apresentando esta concepção da vida como requisito básico na organização de qualquer sociedade sustentável; sendo este o objetivo principal da Educação Ambiental proposta. Para ter êxito, propõe-se um trabalho multidisciplinar, transversal e atingindo a massa, com participação de todos os meios de comunicação e atingindo todos os públicos alvos existentes, revalorizando os aspectos morais necessários para a prática do ecodesenvolvimento e objetivando o estímulo do poder criativo do ser humano para recriar a "natureza perdida" de uma paz solidária na sua organização social. Discute-se a possibilidade de conciliar religião com a Educação Ambiental proposta, no sentido de que ambas objetivam a paz e a solidariedade. Defendem-se argumentos para responsabilizar a elite nacional e internacional da problemática ambiental planetária que vivificamos, propondo uma Educação Ambiental dirigida diretamente às pessoas com maior poder social econômico de cada país, é dizer a governantes e grandes empresários como alvo principal e de maior urgência para a transformação da sociedade consumista à sociedade sustentável, refletindo e valorizando, com eles, sobre o valor e a importância da paz e da solidariedade no futuro da humanidade.