Título

Argumentos da teoria evolutiva da coexistência pacífica de interesse para Educação Ambiental: a paz solidária

Programa Pós-graduação
Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente
Nome do(a) autor(a)
Gustavo Raul Bardier Torres
Nome do(a) orientador(a)
Paulo dos Santos Terra
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2001
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Na teoria ambiental evolutiva da coexistência pacífica, anexada à dissertação, no lugar da luta competitiva pela sobrevivência e a visão darwiniana do mundo natural, defende-se que a vida, como sistema, evolui em forma pacífica e cooperativa. Na base dessa argumentação definiu-se a organização das comunidades naturais como um "sistema socioeconômico de coexistência pacífica". O ser humano trocou mais uma vez a história ao "aprender" a conviver no individualismo e na violência, fruto da evolução de uma organização social baseada na riqueza pessoal, a imposição das regras do mais forte e a desigualdade social, criando um "novo sistema socioeconômico de coexistência violenta". Não é a espécie homo sapiens que é violenta senão sua organização social, a qual evoluiu culturalmente aumentando gradualmente a coexistência violenta até atingir o grau de violência que caracteriza a sociedade contemporânea. Coloca-se o início da sociedade agrícola com a domesticação de espécies vegetais e animais, faz uns 12.000 anos, como importante referencial que criou as condições para desenvolver gradualmente o moderno sistema socioeconômico humano de coexistência violenta. Recentemente este sistema foi "cientificamente justificado" segundo o darwinismo social, usando falsos argumentos e diversos preconceitos da sociedade ocidental. A crise mundial ecológica e social que vivenciamos nesta virada de milênio resulta, em essência, deste desajuste entre a evolução da vida através de uma "paz solidária" baseada no benefício social, e a evolução cultural da sociedade humana através de um "egoísmo violento" baseado na ganância individual de riquezas materiais e a centralização do poder. Uma Educação Ambiental baseada em argumentos da teoria evolutiva da coexistência pacífica é o tema principal desta dissertação. A partir dos pressupostos de que "a violência da sociedade contemporânea evoluiu culturalmente" e de que "a natureza biológica humana é pacífica e solidária", propõe-se uma Educação Ambiental que procure reintegrar-nos ao sistema socioeconômico natural de coexistência pacífica. Nossa própria natureza pacífica e solidária facilitaria o processo, discordando neste ponto com a visão clássica do darwinismo social. O conceito de paz solidária utilizado refere ao estabelecimento de relações sociais e ecológicas positivas entre humanidade e natureza, procurando a conexão ecológica como o todo, apresentando esta concepção da vida como requisito básico na organização de qualquer sociedade sustentável; sendo este o objetivo principal da Educação Ambiental proposta. Para ter êxito, propõe-se um trabalho multidisciplinar, transversal e atingindo a massa, com participação de todos os meios de comunicação e atingindo todos os públicos alvos existentes, revalorizando os aspectos morais necessários para a prática do ecodesenvolvimento e objetivando o estímulo do poder criativo do ser humano para recriar a "natureza perdida" de uma paz solidária na sua organização social. Discute-se a possibilidade de conciliar religião com a Educação Ambiental proposta, no sentido de que ambas objetivam a paz e a solidariedade. Defendem-se argumentos para responsabilizar a elite nacional e internacional da problemática ambiental planetária que vivificamos, propondo uma Educação Ambiental dirigida diretamente às pessoas com maior poder social econômico de cada país, é dizer a governantes e grandes empresários como alvo principal e de maior urgência para a transformação da sociedade consumista à sociedade sustentável, refletindo e valorizando, com eles, sobre o valor e a importância da paz e da solidariedade no futuro da humanidade.


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