Título

O cotidiano educativo, social e ambiental de uma comunidade rural e as expectativas sobre a escola

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Gino Francisco Buzato
Nome do(a) orientador(a)
Miramy Macedo
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2002
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A partir do contexto em que se estabelecem as relações da comunidade dos pequenos agricultores do Vale do São Vicente - MT, com seu ambiente e tomando como referencial as diferentes perspectivas conceptuais de Educação e Educação Ambiental, o presente estudo busca analisar as expectativas dessa comunidade acerca do papel da escola em seus projetos de vida. Trata-se de um estudo de caso seguindo os pressupostos de Demo, Haguette e Trivinõs, que o identificam como uma categoria típica de pesquisa qualitativa com análise interpretativa. Os resultados obtidos pela análise dos dados coletados com a aplicação de questionário semiaberto, realização de entrevistas semiabertas e consultas em documentos de órgãos públicos, mostrou que a maioria dos agricultores acredita na educação como a possibilidade mais segura de ascensão social, entendida por eles como sendo um emprego assalariado na cidade. Demonstram consciência de que a manutenção da escola e as condições para que seus filhos a frequentem, é um direito deles e obrigação do Estado. Porém, como pais de alunos, esses agricultores acreditam que a escola seja pouco significativa para o trabalho no campo. Argumentam que, nas condições em que desenvolvem suas atividades de produção, o modelo de escola implementado não corresponde à realidade por eles vivenciada. Segundo eles, os problemas que mais afligem a comunidade são: o desemprego para seus filhos, a ausência de apoio financeiro, o uso intensivo de agrotóxico, o esgotamento do solo e a falta de representatividade política. Todavia, não percebem a escola como um instrumento que possa contribuir para a superação desses problemas. A pesquisa desenvolvida possibilitou-nos a concluir que os valores urbanos estão arraigados nas expectativas dos agricultores quando estes consideram as possíveis contribuições da educação na compreensão e melhoria da qualidade de vida no campo. Por conceberem os centros urbanos como o único "locus" para uma vida futura digna e com qualidade, veem a escola apenas como uma mera instância reprodutora de técnicas as quais devam representar as possíveis garantias para o emprego assalariado na cidade. A escola, na visão dos agricultores, por se limitar a algumas expectativas relacionadas a um conhecimento utilitário, se enquadra no modelo tecnicista , portanto, incapaz de questionar a condição político-social responsável pela situação em que vivem e, dessa forma, torna-se uma instituição politicamente evasiva. A nosso ver, se a escola assumir uma proposta de Educação Ambiental numa perspectiva crítica e trabalhar conteúdos que propiciem a compreensão das relações dos seres humanos com seu ambiente, poderá abrir possibilidades para a transformação das relações ambientais vigentes e, dessa forma, contribuir tanto para a qualidade de vida da população, quanto para a conservação dos recursos naturais e culturais haja vista que, ao nosso ver, uma condição é inerente a outra.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Área Curricular
Data de Classificação:
27/11/2014