Título

Educação Ambiental e a cidade de Curitiba: um estudo sobre as representações sociais das professoras da rede municipal de ensino

Programa Pós-graduação
Sociologia Política
Nome do(a) autor(a)
Gilfredo Carrasco Maulim
Nome do(a) orientador(a)
Paulo Henrique Freire Vieira
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2003
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este trabalho tem o objetivo de apresentar e compreender as representações sociais das professoras de ensino fundamental da rede municipal de ensino de Curitiba sobre a relação entre Educação Ambiental e a cidade. Trata-se de mostrar a ligação existente entre o espaço urbano, seus problemas e a forma como a Educação Ambiental pode vir a contribuir com a melhoria da cidade. Ao mesmo tempo em que se busca observar e analisar como as professoras representam a cidade em que vivem, sendo Curitiba uma metrópole conhecida nacional e internacionalmente por adotar, nas últimas décadas, a perspectiva ambiental dentro de sua política de gerenciamento do espaço urbano, tornando-se para muitos, um modelo de gestão ambiental, sugerida pela seguinte hipótese: as professoras trabalham com uma visão conservacionista/conservadora de Educação Ambiental, logo, tem uma representação social acrítica da cidade de Curitiba. Para que isso fosse mostrado adotou-se o uso de questionários semiabertos, sendo feita uma amostragem proporcional do número de professoras espalhadas por toda a cidade. Foram aplicados cerca de 120 questionários, num total de 60 escolas encontradas nas mais diferentes regiões da cidade. No trabalho de campo foi possível aferir o reducionismo da hipótese adotada por esta pesquisa, pois a realidade das representações se mostrou muito mais complexa. Foi observado que as professoras têm uma representação social preservacionista/conservacionista sobre o papel da Educação Ambiental na sociedade, não mudando uma tendência apontada por outros estudos no início dos anos 90, conduzindo-a muito mais a uma manutenção dos problemas ambientais do que o questionamento do atual modelo de civilização. Mas por outro lado, se observou que a existência de representação conservadora/preservacionista de Educação Ambiental não se reflete na forma como Curitiba é simbolizada, ou seja, as professoras podem apresentar uma perspectiva crítica ou acrítica da cidade sem tem a ver com a maneira de ter representado a Educação Ambiental. Isso depende muito mais de uma construção subjetiva e/ou de identificação com espaço urbano. Revelou-se que a cidade apresenta duas Curitibas: a dos curitibanos, que são aqueles que vivem a cidade ecológica participando de programas e campanhas ambientais, suscitando uma maior identificação com os preceitos de uma urbanização técnica e ambientalmente eficaz. E a outra cidade seria a dos "outros", dos "favelados", dos que migraram para a cidade, tornando-a caótica, violenta, poluidora do meio ambiente. Portanto, são duas cidades, que se excluem e, que não se aceitam. Segundo as professoras, a primeira se apresenta como a cidade modelo de civilidade e organização, sendo a segunda representada pela "invasão" daqueles que almejam a primeira. Neste caso, encontramos representações sociais que não se complementam como instrumentos na agregação de uma ação político/pedagógica na problematização e no enfrentamento dos problemas socioambientais, desvinculando a educação ambiental de qualquer possibilidade emancipatória.


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