Título
Educação Ambiental e a cidade de Curitiba: um estudo sobre as representações sociais das professoras da rede municipal de ensino
Este trabalho tem o objetivo de apresentar e compreender as representações sociais das professoras de ensino fundamental da rede municipal de ensino de Curitiba sobre a relação entre Educação Ambiental e a cidade. Trata-se de mostrar a ligação existente entre o espaço urbano, seus problemas e a forma como a Educação Ambiental pode vir a contribuir com a melhoria da cidade. Ao mesmo tempo em que se busca observar e analisar como as professoras representam a cidade em que vivem, sendo Curitiba uma metrópole conhecida nacional e internacionalmente por adotar, nas últimas décadas, a perspectiva ambiental dentro de sua política de gerenciamento do espaço urbano, tornando-se para muitos, um modelo de gestão ambiental, sugerida pela seguinte hipótese: as professoras trabalham com uma visão conservacionista/conservadora de Educação Ambiental, logo, tem uma representação social acrítica da cidade de Curitiba. Para que isso fosse mostrado adotou-se o uso de questionários semiabertos, sendo feita uma amostragem proporcional do número de professoras espalhadas por toda a cidade. Foram aplicados cerca de 120 questionários, num total de 60 escolas encontradas nas mais diferentes regiões da cidade. No trabalho de campo foi possível aferir o reducionismo da hipótese adotada por esta pesquisa, pois a realidade das representações se mostrou muito mais complexa. Foi observado que as professoras têm uma representação social preservacionista/conservacionista sobre o papel da Educação Ambiental na sociedade, não mudando uma tendência apontada por outros estudos no início dos anos 90, conduzindo-a muito mais a uma manutenção dos problemas ambientais do que o questionamento do atual modelo de civilização. Mas por outro lado, se observou que a existência de representação conservadora/preservacionista de Educação Ambiental não se reflete na forma como Curitiba é simbolizada, ou seja, as professoras podem apresentar uma perspectiva crítica ou acrítica da cidade sem tem a ver com a maneira de ter representado a Educação Ambiental. Isso depende muito mais de uma construção subjetiva e/ou de identificação com espaço urbano. Revelou-se que a cidade apresenta duas Curitibas: a dos curitibanos, que são aqueles que vivem a cidade ecológica participando de programas e campanhas ambientais, suscitando uma maior identificação com os preceitos de uma urbanização técnica e ambientalmente eficaz. E a outra cidade seria a dos "outros", dos "favelados", dos que migraram para a cidade, tornando-a caótica, violenta, poluidora do meio ambiente. Portanto, são duas cidades, que se excluem e, que não se aceitam. Segundo as professoras, a primeira se apresenta como a cidade modelo de civilidade e organização, sendo a segunda representada pela "invasão" daqueles que almejam a primeira. Neste caso, encontramos representações sociais que não se complementam como instrumentos na agregação de uma ação político/pedagógica na problematização e no enfrentamento dos problemas socioambientais, desvinculando a educação ambiental de qualquer possibilidade emancipatória.