Título
Reflexões sobre as percepções de um grupo de estudantes do Rio de Janeiro sobre a crise ambiental
Parece haver um consenso sobre a urgência em reverter o cenário de crise ambiental e social que se faz cada vez mais evidente na nossa sociedade. A Educação Ambiental tem sido chamada para dar conta de responder a esse quadro e desde o seu surgimento na década de 1970, a sua inserção é cada vez mais crescente e abrangente na sociedade. Na concordância de que é necessário fazer algo para superar essa crise socioambiental, diversas atividades vêm sendo realizadas em diversos setores da sociedade sob o rótulo de Educação Ambiental. No entanto, aponta-se que pouca coisa tem mudado na área ambiental, uma vez que há uma deficiência no modo como à problemática socioambiental vem sendo compreendida, discutida e enfrentada. Ressalta-se que a compreensão dessa problemática tem se dado sob uma ótica simplista, reducionista e fragmentada, sendo negligenciada a complexidade de questões e dimensões que ela abarca. Um olhar mais crítico nos permite vislumbrar que, para além do cenário ecológico, a crise ambiental é fruto de um determinado estilo de desenvolvimento que, com suas dimensões políticas, sociais, culturais e econômicas, afeta tanto as organizações sociais humanas, quanto os sistemas naturais. Sendo assim, entende-se que a Educação Ambiental deve estar voltada para a construção de novos patamares societários de justiça e prudência ambiental e social, em uma concepção de educação comprometida com transformações sociais. Esse trabalho está orientado sobre esse debate e pauta-se na perspectiva crítica da Educação Ambiental, a qual concebe que o enfrentamento e superação da crise ambiental se dão pela transformação mútua da sociedade e do indivíduo. A partir de uma investigação qualitativa foram discutidas as percepções de um grupo de 44 estudantes do ensino médio de uma escola da rede federal sobre a compreensão e enfrentamento da crise socioambiental. A coleta de dados foi realizada através da aplicação de questionários, contendo perguntas abertas, e a realização de dois grupos focais, um com sete e outro com nove alunos. Os dados foram analisados de forma qualitativa e os resultados apontam que a apreensão da crise socioambiental ainda se encontra limitada em muitos aspectos, como por exemplo, a compreensão da questão ambiental sob a ótica naturalista em uma correlação superficial das questões sociais e ambientais; porém, nota-se a inserção de certos elementos e questionamentos – como as críticas ao atual sistema societário e a busca por mudanças sociais e ambientais-, que denotam uma postura inquiridora e a favor de transformações. A partir da reflexão sobre as percepções desses estudantes, essa investigação pretende contribuir com a promoção de uma Educação Ambiental crítica e, para tanto, discute elementos, conceitos e questões a serem considerados em uma prática educativa transformadora.