Título
A memória dos idosos na Educação Ambiental em contexto escolar
Esta pesquisa parte dos princípios de que a Educação Ambiental (EA) deve ser uma prática assumida por todos os cidadãos e de que a memória dos idosos possui importância fundamental nessa modalidade educativa. Teoricamente, contrapomos os paradigmas da racionalidade científica e tecnológica, que unifica e elege os peritos do saber. Logo, nos questionamos: em quais condições os idosos se constituem como sujeitos da EA? Qual a contribuição das transformações e dos saberes ambientais obtidos na memória dos idosos para a EA? Que estratégias de ensino-aprendizagem contribuem para a inserção dos idosos agentes de EA em contextos escolares? Para respondermos a essas questões, estabelecemos o seguinte objetivo geral: investigar as possibilidades de inserção dos idosos como educadores ambientais de crianças e jovens. Nosso trabalho foi norteado também por alguns objetivos específicos: descrever condições de inserção dos idosos como sujeitos de EA a partir das suas memórias sobre as transformações ambientais; discutir as transformações ambientais originadas nas ações antrópicas, usando o tempo como elemento de EA; relatar as contribuições trazidas pelo mapeamento ambiental que resultou da aplicação da história oral em situações de EA. A metodologia utilizada foi qualitativa, com duas etapas para a obtenção das informações: a primeira consistiu de entrevistas de caráter aberto, feitas com os idosos para orientar os encontros intergeracionais; na segunda etapa foram realizados encontros entre idosos e alunos, os quais ocorreram em dois momentos. O primeiro encontro aconteceu em 2005, com duas turmas de quinta série do ensino fundamental, e em 2006, com a sexta série. Além das entrevistas obtidas nos encontros, contamos com: questionários respondidos pelos alunos, entrevistas de pós-encontro com os idosos e entrevista com os coordenadores pedagógicos. Entre os resultados que obtivemos destacam-se a valorização dos idosos pelos alunos e o uso de suas memórias como estratégia de ensino-aprendizagem em EA; e o reconhecimento, pelos idosos, de suas capacidades para atuarem como sujeitos educadores ambientais que conseguem estabelecer relações entre seus saberes e os conhecimentos científicos. Os encontros propiciaram aos alunos uma maior compreensão das transformações ambientais na comunidade e os levaram a associar os problemas ambientais ao aumento das desigualdades sociais, desvinculando o paradigma de que seres humanos e natureza estão dissociados. Por meio da pesquisa, rompemos com uma prática vigente na EA - a das crianças ‘educando’ os adultos - e passamos a compreender as possibilidades de inserir os idosos como educadores ambientais a partir de suas memórias.