Título
Processos sociais, estratégias coletivas e mudanças ambientais em assentamentos de reforma agrária na região norte de Tocantins-TO
Considere-se em primeiro lugar o assentamento rural de reforma agrária como um espaço educativo no qual, homens e mulheres ensinam e aprendem através da reconstrução de práticas e valores, a pensar. Desde as primeiras reuniões realizadas com o apoio dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais e da Igreja, estes passaram, a priori, a pensar, a refletir sobre o papel de cada um na sociedade, nas suas transformações, na busca de solução para as injustiças vividas na vida e no trabalho. Depois passam a convergir ideias, planos e ações, a escutar e falar sem que isso desemboque na anulação do outro, mas sim na confirmação de uma totalidade. Assume-se, nesse sentido, que o movimento social que deu origem aos assentamentos rurais traz consigo avanços e rupturas que resultam na aquisição de um saber cumulativo, impresso nas futuras gerações, que é caracterizado pelo persistir, pelo esperar e pelo seguir em frente mesmo contrariando previsões. No compasso dessa espera observa-se que outros saberes foram e são continuamente delineados, retomados. Inclusive aqueles relacionados à leitura do mundo e das palavras escritas, desenhadas e aqueles relacionados à escrita das palavras e do próprio caminho. A palavra terra desloca-se do imaginário para o papel ganhando status de palavra-chave, símbolo de luta e futuro.