Título
Educação Ambiental: a relação entre a elevada prevalência de parasitoses intestinais e condições de vida de uma população escolar de São José do Norte - RS
Frente a reincidentes elevadas prevalências de parasitoses intestinais em escolares de comunidades carentes, analisamos a relação entre a prevalência de parasitoses intestinais e condições de vida da população escolar da Escola Municipal Monteiro Lobato em São José do Norte – Rio Grande do Sul. A metodologia contemplou duas etapas, a primeira, um estudo epidemiológico, com a realização de exames parasitológicos de fezes dos escolares e um questionário aos seus responsáveis, com análise estatística, através do programa EPI-Info 6.04; e uma segunda etapa, qualitativa, mediante entrevistas com docentes, enfocando o programa de Educação Ambiental desenvolvido na escola. Identificamos uma elevada prevalência de parasitoses intestinais de 85,6%, abordamos: 1) condições de vida dos escolares e das famílias, onde observamos a baixa escolaridade das mães, por volta de 3,27 anos e dos pais, por volta de 2,69 anos; predomínio de classe econômica (50,5%); presença de água encanada (85,6%); água utilizada direta da torneira sem nenhum tipo de tratamento (87,4%); ausência de torneiras no interior das casas (17,1%); presença de somente uma torneira no interior das casas (27,9%); ausência de banheiros (35,1%); destino inadequado de necessidades fisiológicas (29,7%); destino da água da lavagem de roupas e da pia da cozinha diretamente no terreno, respectivamente, 67,6% e 52,3%, dentre outras; 2) conhecimento da comunidade sobre parasitoses intestinais, cujo tema não é desconhecido pelos pais, pois já presenciaram a eliminação de formas evolutivas de parasitas (72,1%); a prática frequente da automedicação antiparasitária (80,2%), dentre outros; 3) prevalência de parasitoses intestinais elevada, sendo mais frequentes <i>Tricuris trichiura</i> (21,6%), <i>Ascaris lumbricoides</i> (12,6%) e associados (38,7%). A elevada prevalência de Trichuris trichiura e Ascaris lumbricoides, geralmente ocorre quando a pobreza e inadequadas condições de saneamento coexistem; 4) a Educação Ambiental no enfrentamento desta problemática necessitando envolver a própria comunidade na construção de estratégias, frente aos riscos e possibilidades.