Título
Os pesque-pagues da bacia hidrográfica do Rio Mogi-Guaçu: uma análise do perfil socioeconômico e da percepção ambiental de seus usuários
Os empreendimentos denominados pesque-pagues, comuns na bacia hidrográfica do Mogi-Guaçu, região sudoeste do estado de Minas Gerais e nordeste do estado de São Paulo, são provenientes, em sua maioria, de infraestrutura pré-existente e da vontade dos produtores rurais ampliarem a sua atividade econômica. Algumas características variam quanto ao porte, estrutura, área hídrica, oferta de serviços, sendo empreendimentos particulares, voltados para a pesca amadora em viveiros ou lagos construídos e com várias espécies de peixes. Recebem de 50 a 200 pessoas de diferentes níveis culturais, sociais e financeiros, os quais, por sua vez, tornam-se corresponsáveis pelos aspectos positivos, como lazer e negativos, como a geração de resíduos desse tipo de empreendimento. A presente pesquisa teve por objetivo avaliar a percepção ambiental e o perfil socioeconômico desses usuários, bem como a possível relação desse perfil com a frequência e as diversas categorias do empreendimento. Para isso, foram utilizados alguns instrumentos como a entrevista, a técnica da observação e a análise da percepção ambiental desses usuários. Conclui-se que, em geral, os pesque-pagues são frequentado em sua maioria, 85%, pelos homens, sendo que o menor número de mulheres, 15%, pode ser influência da falta de estrutura dos estabelecimentos. O nível de instrução com maior percentual foi para o ensino fundamental incompleto, 28%, para os dois gêneros, e mesmo sendo considerado como baixo, não interfere na preferência dos usuários pelos estabelecimentos de categoria C, que oferecem bons serviços aliados a bons preços. Quanto à percepção ambiental, observa-se certo equilíbrio, com 50% do total de entrevistados não conseguindo descrever a paisagem de entorno ou percebendo o cheiro e a cor da água dos lagos de pesca. Na análise dos resíduos gerados, observou-se a parcela significativa da contribuição dos usuários, tendo em vista que tudo que é gerado pelos mesmos durante a pesca é deixado no entorno dos lagos. A desinformação e a falta de conscientização de proprietários e usuários são alguns dos itens principais dos vários problemas ligados aos pesque-pagues. Como instrumento de mudança, tem-se a Educação Ambiental, que aliada a ações apropriadas levará ao desenvolvimento sustentável do setor.