Título
Trabalho, ambiente e saúde: percepções de um grupo de trabalhadores
Sabemos o papel que o trabalho desempenha na vida humana, intermediando a inserção das pessoas no mundo social e profissional. Ao longo dos tempos foram elaboradas novas formas de produção e organização do trabalho, ocorrendo mudanças crescentes das condições e formas de trabalho. Diante dessas mudanças, os fatores de risco para a saúde dos trabalhadores extrapolaram o ambiente de trabalho, incorporando o significado cultural, político e econômico imposto pela sociedade. Considerando essa nova realidade no mundo do trabalho, o estudo descreve a percepção dos trabalhadores da linha de produção industrial sobre a relação entre trabalho, ambiente e saúde; identifica fatores de risco pertinentes à execução da prática da atividade laboral na linha de produção da Esmaltec e sugere a otimização e implementação de práticas educativas nessa Indústria. Elegeu-se a abordagem qualitativa, com um estudo descritivo, em que participaram 13 trabalhadores da fábrica de fogão da indústria Esmaltec, em Fortaleza, Ceará, em 2005. Para a apreensão dos dados, foram utilizados, como instrumentos de coleta, a observação livre, diário de campo e a entrevista semiestruturada, sendo estes analisados com base no Discurso do Sujeito Coletivo. Esse discurso mostrou que a relação do homem com seu trabalho é permeada por sensações contraditórias, ambíguas e gratificantes. Essas perpassam pela alegria em ser produtivo, prover sua família e poder usufruir os benefícios econômicos, sociais e culturais que a atividade laboral proporciona. Verbalizam momentos de conflitos, devido ao “prejuízo” que o trabalho causa à saúde, ao ambiente familiar e social, em decorrência de horas-extras, estresse e cansaço após a jornada de trabalho. Um outro discurso nega que exista relação entre trabalho e saúde. Identificou-se, no discurso coletivo, a presença de riscos físicos (repetitividade, ausência de flexibilidade postural), ambientais (poeira), químicos (tinta), emocionais (trabalho monótono), entre outros. Conclui-se que a maioria desses trabalhadores identifica que o trabalho interfere na saúde e âmbito familiar e social; contudo, a compreensão dessa interferência merece ser ampliada. Nesse sentido, os princípios da Educação em Saúde, podem contribuir e conduzir as mudanças necessárias para otimizar o ambiente de trabalho e as relações familiares, sociais e culturais.