Título
Parque Nacional do Iguaçu e comunidade do entorno: gestão e conflitos
A dissertação aqui apresentada é expressão de uma pesquisa qualitativa, de cunho etnográfico, que teve seu princípio fundamentado em uma pergunta: como, a partir do fechamento da Estrada do Colono, acontece a relação das comunidades do entorno com o meio ambiente e os órgãos gestores do Parque Nacional do Iguaçu (PNI) e quais são as condições que dificultam a resolução dos conflitos? O objetivo proposto para o trabalho é compreender os aspectos histórico-culturais predominantes na constituição das identidades dos agentes moradores do entorno deste parque, bem como, a relação entre estes e o Ibama, após o fechamento da Estrada do Colono. A pesquisa de campo para coleta das informações e alargamento das observações sobre os conflitos durou quatro meses e foi realizada nos municípios de Capanema e Serranópolis do Iguaçu, situados no entorno do PNI. A dissertação está organizada de forma a problematizar três eixos dialógicos que incluem o resgate histórico dos municípios estudados e do próprio PNI; uma construção teórica sobre o tema pesquisado e alguns aportes que explicam a rede de significações transversalizada na fala dos agentes da pesquisa. A abrangência dessas falas possibilita entender que o processo de gestão do PNI, após o fechamento da Estrada do Colono agrega, de maneira precária, a participação das comunidades. Aliado a isso, os usos políticos do conflito acirraram as dificuldades de diálogo entre o órgão gestor e as populações do entorno. A questão ambiental, a partir desse olhar, adentra os discursos e se mostra vinculada, de um lado, à garantia do fechamento da estrada pelos ambientalistas; de outro, como ônus pela reabertura da mesma, as reivindicações pró-abertura. Observa-se ainda que, mesmo com fragilidades, os programas de Educação Ambiental facilitaram o diálogo entre administração do PNI e as populações.