Título
Educação Estética Ambiental e Teatro do Oprimido: fundamentos e práticas comuns
Este trabalho trata das possíveis conexões entre os princípios da Educação Estética Ambiental, campo conceituado e fundamentado durante as reflexões teóricas propostas, e os do Teatro do Oprimido. A Educação Ambiental carrega as dificuldades e reducionismos impostos por um modelo de educação engessado que limita os modos de viver e dificulta a criação e a ampliação dos espaços de subjetividade. Na tentativa de superar esta condição propomos a Educação Estética Ambiental, fundamentando-a na teoria estética de base fenomenológica, como uma nova maneira de o ser humano relacionar-se como mundo que habita. O desafio desta educação é provocar o reencontro do ser humano com as dimensões sensível, afetiva, poética e imagética que o compõem, em detrimento de uma exclusiva exacerbação da dimensão racional, perspectiva ocorrente no modelo que combatemos. Nesta busca, a arte se configura como um campo essencial, possibilitando as vivências que despertem estas outras dimensões do ser humano. No campo da arte, voltamo-nos ao teatro e, especificamente, ao Teatro do Oprimido, metodologia teatral criada por Augusto Boal que tem como principal objetivo a democratização do teatro, ou seja, a destruição do muro divisório entre atores e espectadores pela consideração do teatro como atividade biológica e orgânica dos seres humanos. A eleição do teatro do oprimido deu-se pela identificação de características em suas atividades que indicam aproximações com os princípios e objetivos buscados pela Educação Estética Ambiental. Neste sentido, a proposta do presente trabalho é fundamentar, a partir de uma pesquisa teórica, o campo da Educação Estética Ambiental, estabelecendo seus princípios para, então, analisar suas possíveis conexões com os princípios do teatro do oprimido. Buscou-se também, partindo desta relação já evidenciada, analisar como vêm sendo desenvolvidos os trabalhos de educação ambiental que utilizam a estética e a arte como referencial, na tentativa de indicar caminhos a partir da perspectiva da Educação Estética Ambiental que propomos.