Título
Capacitação e Educação Ambiental (TPA's) do porto do Rio Grande (RS): uma visão integrada.
Este trabalho, inserido na linha de pesquisa “educação ambiental e manejo costeiro integrado”, teve por objetivo principal analisar, através de um enfoque sistêmico, a percepção de ambiente dos Trabalhadores Portuários Avulsos - Tpa’s do porto do Rio Grande. Com isto, pretende-se contribuir para a inserção da dimensão ambiental nos cursos que esses devem realizar devido à implementação da Lei de Modernização dos Portos - lei 8.630/93. A metodologia de trabalho constou de três fases distintas: (1) uma análise conceitual sobre capacitação de recursos humanos, as propostas federais de capacitação em áreas portuárias e os espaços para a Educação Ambiental atuar neste contexto; (2) elaboração de modelos conceituais diagramáticos para representar as interações entre as atividades portuárias e impactos ambientais, assim como o Sistema do Ensino Profissional Marítimo - Sepm; e, (3) a análise estatística de um formulário de entrevistas sobre as dimensões pensamento sistêmico, cidadania, operação e segurança e saúde, aplicado a Tpa’s das atividades de capatazia (arrumadores, portuários e guindasteiros), conserto de carga, estiva e conferência de carga. Os modelos conceituais identificaram os principais processos que integram homem, atividades produtivas e meio ambientes no sistema portuário-industrial do porto do Rio Grande, explicitando os riscos ocupacionais a que estão expostos os Tpa’s e os impactos ambientais operacionais. A análise estatística das respostas ao formulário aplicado a 179 Tpa’s (13,5% da população) determinou a influência das variáveis atividades, escolaridade, idade e tempo de serviço sobre a percepção ambiental dos Tpa’s. O perfil médio é de um trabalhador com 44 anos de idade, que trabalha no porto há 19 anos e tem o 1º grau completo. A partir da classificação adotada, a percepção ambiental dos Tpa’s das atividades de capatazia, conserto de carga e estiva é considerada média alta. Para os da conferência de carga a percepção foi alta, sendo que esses tiveram as maiores médias de escolaridade, idade, tempo de serviço e pontuações. Apesar desses altos índices, foi constatado que há lacunas nas concepções, indicadas pela dificuldade de entender inter-relações e pela separação entre questões ambientais e operacionais e entre o meio ambiente de trabalho e o da vida privada. Os resultados indicam que as dimensões pensamento sistêmico e cidadania, referentes a temas mais complexos e abstratos, estão condicionadas pela escolaridade, estando relacionadas com o modo de pensamento categorial. Nestas dimensões, a conferência de carga se destaca das demais atividades. As dimensões segurança e saúde e operação, com temas diretamente relacionados com a rotina operacional, são condicionadas pela experiência em situações reais de trabalho e estão relacionadas com o modo de pensamento gráfico funcional. Nestas dimensões, não houve diferenças significativas entre as atividades analisadas. Recomenda-se que as ações de Educação Ambiental devam ser inseridas nos diferentes cursos atualmente oferecidos aos Tpa’s e integradas ao conjunto do treinamento e da prática operacional. Os cursos do Sepm devem ser atualizados, regionalizados (para atender peculiaridades operacionais, socioeconômicas e ambientais) e ter agilidade para responder às necessidades de sua clientela (operadores e Tpa’s). A área de segurança e saúde é o contexto ideal para inserção da Educação Ambiental no setor portuário, pela sua relação direta com o trabalhador e o meio ambiente e por se encontrar razoavelmente estruturada na maioria dos portos.