Título

As vertentes da Educação Ambiental: a ocupação de São Luiz Gonzaga (RS), a preservação dos banhados e dos recursos hídricos

Programa Pós-graduação
Educação nas Ciências
Nome do(a) autor(a)
Dinara Bortoli Tomasi
Nome do(a) orientador(a)
Maria Cristina Pansera-De-Araujo
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2002
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

A água é um recurso natural de valor inestimável, fundamental para a sobrevivência das diferentes espécies de seres vivos. O ser humano, ao longo do tempo, tem se estabelecido próximo aos cursos dos rios com a intenção primeira de suprir suas necessidades biológicas, bem como de seus rebanhos (além de explorar as planícies para a agricultura). Em muitas regiões, em especial no município de São Luiz Gonzaga (RS), onde foi realizada esta pesquisa, os rios têm suas nascentes em banhados, os quais estão ameaçados de extinção. A presente dissertação abordou a problemática referente à necessidade de preservação dos banhados, acompanhada de uma educação ambiental significativa. Para isso se tornar possível buscou-se entender as transformações da paisagem, das edificações, as relações estabelecidas entre sociedade humana e natureza, ao longo de ocupação de São Luiz Gonzaga (RS), e a sua repercussão hoje, bem como a influência das interações sócio-histórico-culturais, no estabelecimento de uma política de eco-desenvolvimento e de preservação desses ecossistemas. Para tanto, foram analisadas as descrições da paisagem da região das Missões, feitas por alguns pesquisadores e entrevistadas doze pessoas formadoras de opinião desse município, a fim de conhecer a sua atual percepção sobre as questões da água (disponibilidade, potabilidade e a necessidade de preservação) e da Educação Ambiental. Ao descreverem a região das Missões, os pesquisadores, entre eles: Antônio Sepp, Auguste de Saint-Hilaire, Hemeterio Velloso da Silveira, Roberto Ave-Lallemant, Maximiliano Beschoren, Aurélio Porto, Balduíno Rambo, Jean Roche, Anna Olívia do Nascimento registraram em muitos de seus relatos que a sociedade exerceu significativa interferência nos ecossistemas locais. Especialmente, nas últimas décadas, a paisagem tem sofrido alterações que comprometem, muitas vezes, a quantidade e a qualidade dos diferentes recursos naturais, mais especificamente da água. Através das afirmações dos formadores de opinião, constatou-se que a maioria considera a água como um fator ambiental garantidor da vida e identifica a procedência desse recurso natural que abastece a comunidade de São Luiz Gonzaga (RS). Alguns dos entrevistados conhecem o percurso do Arroio Ximbocuzinho (uma das principais fontes de água do referido município), mas 50% deles desconhecem a localização das nascentes desse rio, o que pode justificar as dificuldades encontradas em preservá-las. Ao sugerirem ações para promover a preservação das nascentes, os entrevistados foram unânimes em destacar a necessidade de implementar a Educação Ambiental nas escolas e na comunidade em geral, bem como salientam a urgência de "conscientização" a partir das crianças. Partindo-se do pressuposto que a consciência do ser humano se constitui nas interações que estabelece consigo, com os outros e com o ambiente, num processo histórico-cultural, é imprescindível, para a superação dos discursos ditos ambientalistas e das práticas de educação ambiental momentâneas, investir em ações construídas coletivamente, envolvendo os diferentes segmentos da comunidade, para a preservação dos banhados.
O ser humano construiu a relação que aí está e só ele poderá mudá-la. O (a) professor (a), como agente interativo, pode sensibilizar seus alunos para serem disseminadores, na sociedade, de uma nova relação política, social, econômica e ambiental, tão necessária para a garantia da vida no planeta. O conhecimento, portanto, da constituição desses sujeitos, cidadãos da comunidade são-luisense, permitirá uma atuação mais efetiva e responsável na tomada de decisões, envolvendo também o poder público no que se refere à preservação dos banhados. Trata-se de um agir local, em que as responsabilidades individuais e coletivas se entrelacem, priorizando a qualidade de vida, num pensar global.


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