Título
A Educação Ambiental no ensino médio brasileiro: filosofia, diretrizes e realidade - uma análise crítica junto aos alunos do município de Tibau do Sul/RN e aos professores responsáveis
Este trabalho foi realizado com o objetivo de analisar o quadro atual da Educação Ambiental no ensino médio de Tibau do Sul/RN a fim de verificar a sua coerência com os princípios filosóficos consagrados pelos grandes acordos internacionais e a sua consonância com a legislação nacional pertinente. Trata-se de uma questão ainda não analisada a fundo, mas certamente urgente, visto a crescente gravidade da crise ambiental e a falta de progresso real no sentido de construirmos uma sociedade sustentável. A declaração de Tbilisi, a Agenda 21 e os demais tratados globais ratificados pelo Brasil enfatizam o papel fundamental da escola na formação do cidadão consciente que levará a sociedade rumo à sustentabilidade. No entanto, pesquisas realizadas em diversas regiões do Brasil sobre a Educação Ambiental no ensino fundamental mostram que, apesar dos alicerces legais excelentes, existem graves inconsistências na execução desse papel. Assim sendo, no projeto atual, tomou-se como hipótese a ser investigada a asserção de que, no município enfocado, as diretrizes oficiais de Educação Ambiental não estão sendo plenamente cumpridas no ensino médio, quer no seu conteúdo temático quer na forma de abordagem metodológica. O pequeno município litorâneo de Tibau do Sul, no nordeste do Brasil, foi escolhido porque manifesta de forma contundente os problemas do desenvolvimento apressado numa área de grande expressividade natural. A Educação Ambiental seria um valioso instrumento para capacitar melhor as novas gerações, evitando a evolução de um quadro cada vez mais sério e irreversível. Objetivando testar a hipótese, realizou-se um levantamento usando como instrumento principal uma série de questionários escritos aplicados a todos os atores diretamente envolvidos: aos diretores das três escolas relevantes, aos professores das diversas disciplinas e a todos os estudantes de ensino médio residentes no município de Tibau do Sul/RN que frequentavam essas escolas no meio do ano letivo de 2006, inclusive os que estudavam fora do município. Os questionários visam avaliar a qualidade da formação intelectual e ética proporcionada pelas escolas no cumprimento do seu papel de preparar alunos conscientes e críticos no tocante às questões ambientais. Não foi feito amostragem, visto que o propósito foi entrevistar toda a população alvo. O universo atingido (em comparação com o esperado) foi: diretores três (3); professores 13 (46) e alunos 267 (cerca de 435). Os resultados revelam amplas divergências entre o que acontece na prática na escola e o que preconiza a Lei de Diretrizes e Bases, a Política Nacional de Educação Ambiental e outros instrumentos legais brasileiros decorrentes dos pactos internacionais. Na análise dessas incoerências procura-se distinguir entre as falhas relacionadas especificamente ao tema meio ambiente e as atribuíveis ao estado geral do ensino secundário no Brasil, segundo apontam as pesquisas consultadas. Para superar as deficiências constatadas, o autor propõe algumas medidas que oferecem possibilidades de retomar o processo de reforma do Ensino Médio brasileiro no tocante ao meio ambiente, sem que haja necessidade de formular as diretrizes. Entre as recomendações, incluem-se: 1) flexibilizar o modelo de ensino de Educação Ambiental, possibilitando a sua implantação como disciplina própria ou (melhor) a sua inserção específica em cada disciplina do currículo; 2) readequar os cursos de licenciatura em todas as áreas disciplinares para garantir uma boa formação inicial e continuada de Educação Ambiental para os futuros professores; 3) oferecer incentivos reais à colaboração interdisciplinar na escola; 4) multiplicar e estreitar as relações entre as escolas e as ONGs ambientalistas e sociais; 5) criar mecanismos para fomentar as aulas de campo, as vivências e os trabalhos práticos, abrangendo as paisagens e os problemas comunitários da região; 6) aproveitar melhor as redes de instituições e as redes temáticas já existentes nas áreas de ensino e de meio ambiente; 7) fazer melhor uso da crescente “cibercultura” para promover colaboração entre grupos de pessoas, instituições, regiões e países, lançando novas teias de relacionamentos através das novas redes interativas de comunicação, fortalecendo o espírito comunitário e criando uma verdadeira “aliança global para cuidar da terra e da humanidade”.