Título

Educação Ambiental: processo e fronteiras

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Danielle Carneiro
Nome do(a) orientador(a)
Araci Asinelli da Luz
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2002
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

A ideia deste trabalho surgiu no momento em que me inseri na comunidade de Pontal do Sul, envolvida em distintas atividades educativas com o mesmo público. Uma delas refere-se ao ensino público fundamental e outra a atividades de pesquisa e Educação Ambiental (EA) dentro de um projeto de extensão universitária. A Ea vem sendo realizada de forma diversificada, baseada em diferentes concepções, fundamentadas em princípios e diretrizes construídos num momento de difusão da Ecologia e de questões relativas ao meio ambiente. As reflexões de Reigota (1998; 1999) sobre EA foram convenientes para ultrapassar uma prática reduzida a concepção naturalista ou antropocêntrica, encontrada em predominância na mídia e no senso comum. Para realizar uma EA como prática educativa, buscamos alguns fundamentos na Teoria do Desenvolvimento (Piaget, 1988; Lima, 1983; Lima, 1995) articulada à Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 1978; Spink, 1998; Duveen, 1998) de forma complementar. Para discutir as questões relativas ao meio ambiente apoiamos nossa prática numa ideia ampla de Ecologia, que abarca as dimensões mental/social/ambiental (Guattari, 1990). Buscamos com isso construir uma leitura do mundo que gere interações menos entrópicas na relação do sujeito com seu entorno. Nessa perspectiva, foi criado um grupo de educação ambiental com cerca de vinte e cinco estudantes das escolas públicas de Pontal do Sul/PR, com idades entre nove e dezoito anos, realizando encontros semanais durante 1996-2000, em espaço próprio dentro da universidade. Esse deslocamento teve o propósito de criar um novo ambiente interativo, livre dos muros e regras impressas naquele contexto. A criação de um novo "mundo social" (Forquim, 1993) possibilitou a inserção e identificação de representações trazidas de outros grupos sociais para seu interior, bem como a construção de novas representações a partir das interações e das questões emergentes nesse novo contexto. A interação intensa entre os sujeitos e entre eles e o entorno e entre os conhecimentos provocaram conflitos, desequilíbrios e auto-organização do grupo, bem como a reelaboração e complexificação de conhecimentos. A expressão da experiência e dos conhecimentos construídos através das interações durante o processo foram registrados em forma de textos, desenhos, fotos e manifestações artísticas como teatro e artesanato, questões e comentários orais, e nas próprias atitudes e comportamentos decorrentes dessas interações, produzindo Representações Sociais (RS) desse grupo. A análise do processo de EA como contexto de elaboração de representações sociais indica que o conhecimento construído ali pode possibilitar a realização de ações menos entrópicas dos jovens envolvidos no processo, em relação aos desafios que as questões ambientais nos impõem, uma vez que as RS, enquanto formas de conhecimento, orientam as ações no cotidiano (Spink, 1998).


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Área Curricular
Modalidade: Regular
Data de Classificação:
08/04/2014