Título
Percepção ambiental e construção do conhecimento de solos em assentamento de reforma agrária
As dificuldades encontradas na constituição dos assentamentos de reforma agrária no Brasil são grandes. Desde a ocupação das áreas, passando pela resistência das famílias às inúmeras formas de repressão, chegando finalmente à conquista da terra, onde os desafios são no âmbito da produção, visando soberania e segurança alimentar, além de renda para as famílias. Para superar os desafios impostos para a produção dentro da realidade camponesa, faz-se necessário um reconhecimento aprofundado da área, visto que muitos assentamentos são criados em regiões distintas fisiograficamente das regiões de origem das famílias assentadas. Nesse sentido, este estudo realizado no assentamento Olga Benário, município de Visconde do Rio Branco, MG, teve como objetivo desenvolver e testar uma metodologia, capaz de unir os saberes populares e científicos, que contribua para a construção do conhecimento agroecológico e uso sustentável dos solos em áreas de assentamentos de reforma agrária, buscando diminuir o período de adaptação ao “novo” ambiente local, pelos assentados. Também se objetivou a utilização e avaliação de mapas conceituais para organização de conceitos, conteúdos e métodos para o trabalho com o problema das voçorocas no assentamento, na busca de construir conhecimentos sobre o tema. As hipóteses de trabalho norteadoras desta pesquisa são: I) os assentados independentes de sua origem, possuem conhecimentos importantes, que devem ser a base para a construção de novos conhecimentos; II) estes conhecimentos individuais e coletivos quando intercambiados pela cooperação da vida em comunidade e entrelaçados ao conhecimento técnico/científico são capaz de gerar aprendizagens significativas, ressignificando-os e construindo assim conhecimentos em relação ao ambiente local. Para o desenvolvimento deste trabalho, foram utilizados os princípios científicos da pesquisa-ação. A metodologia constou de visitas, caminhadas, oficinas pedagógicas, intercâmbios e intervenções práticas, além de análises laboratoriais, sistematizações e devolução de resultados. Partindo de problemas e demandas concretas, conseguiu-se estratificar participativamente os ambientes do assentamento resgatando e construindo conhecimentos que serão úteis para o planejamento produtivo das famílias. Os mapas conceituais se mostraram importante ferramenta de tratamento e organização de temas relacionados com a Educação Ambiental. Esta pesquisa-ação gerou avanços na conscientização sobre o manejo conservacionistas dos agroecossistemas locais, com base nas limitações e potencialidades de cada ambiente da paisagem, auxiliando a convivência com suas características limitantes, como por exemplo, a fertilidade natural e susceptibilidade a erosão, e voçorocas. O conhecimento prévio dos assentados tradicionalmente construído, independente da origem, foi a base para a ressignificação e construção de novos conhecimentos. Este processo se deu em vários momentos durante a pesquisa, levantando novas demandas para trabalhos de intervenções no campo.