Título

O uso e a percepção ambiental de áreas úmidas por uma população ribeirinha na região da bacia hidrográfica do Rio Taquari-Antas, Rio Grande do Sul

Programa Pós-graduação
Biologia
Nome do(a) autor(a)
Cristina Paes Barreto Baptista
Nome do(a) orientador(a)
Leonardo Maltchik Garcia
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2007
Dependência Administrativa
Privada
Resumo

As áreas úmidas são importantes ecossistemas para a proteção da biodiversidade, apresentando grande riqueza de espécies e altos níveis de endemismo. Esses ambientes são fontes de recursos naturais para as populações humanas e estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo. Os impactos nas áreas úmidas incluem tanto a alteração do habitat como a destruição do mesmo. A humanidade depende do uso sustentado das áreas úmidas. A etnobiologia estuda o conhecimento que as populações humanas possuem acerca dos recursos naturais, taxonomias, classificações e dos ecossistemas dos quais dependem para as suas atividades comerciais ou de subsistência. A admissão de populações nativas como parte do ecossistema é fundamental para conservação da biodiversidade. O ecossistema é afetado direta e indiretamente pelas relações que as populações humanas mantêm com os recursos hídricos. Diante disso e reconhecendo a importância de conservar as áreas úmidas e de admitir (reconhecer) a intensa interação e conhecimento que populações tradicionais possuem acerca dos recursos ambientais, o presente estudo objetiva avaliar a interação e conhecimento de uma população de ribeirinhos sobre as áreas úmidas locais, por meio da análise de suas estratégias adaptativas, de seu conhecimento específico sobre a dinâmica dos recursos ambientais e de seu entendimento sobre a conservação do meio ambiente. Sendo assim, dois trabalhos foram desenvolvidos na região do vale do Taquari. O primeiro se baseou em uma amostragem sistemática, quando os ribeirinhos do município de Estrela foram acompanhados ao longo de um ano com a coleta das informações através de métodos qualitativos, observação direta e entrevistas semiestruturadas (com auxílio de um guia de tópicos). O segundo se baseou em uma amostragem pontual, na qual os ribeirinhos dos municípios de Estrela, Lajeado, Bom Retiro do Sul e Cruzeiro do Sul foram entrevistados apenas uma vez com um questionário contendo dez afirmações de caráter conservacionista. Essas informações foram analisadas juntamente com o sexo, idade e grau de escolaridade dos entrevistados, através da distribuição qui-quadrado, a fim de verificar se esses fatores influenciam a visão dos pescadores quanto à percepção ambiental. O primeiro estudo mostrou que as informações que os ribeirinhos de Estrela trazem acerca do ambiente em que vivem e seus recursos são ricas e importantes para sua sobrevivência. Além disso, muitos dos conhecimentos relatados estão de acordo com o conhecimento observado pela Ecologia e Limnologia. Os pescadores possuem conhecimento sobre a legislação que protege o uso dos banhados, bem como a consciência da importância e da manutenção desses sistemas; sabem sobre a morfometria do rio, fases de inundação e seca e sua influência no recurso pesqueiro; extraem peixes de maior valor econômico, mas possuem estratégias para utilizar os de menor valor; possuem conhecimento do uso do habitat pelos peixes e utilizam essas informações para elaborar suas estratégias de pesca. O segundo estudo indicou que os ribeirinhos possuem uma percepção positiva do meio ambiente em que vivem. Algumas divergências foram detectadas, mas, apesar disso, com base nos resultados obtidos com o qui-quadrado, verificou-se que o grau conservacionista de cada pescador não está correlacionado com a idade, o gênero estudado e o grau de escolaridade. Como conclusão, os estudos mostraram que a tradição dos pescadores, suas vivências e história demonstram como estão conectados com a dinâmica do ambiente em que vivem, como precisam, assim como todos os animais, estabelecer estratégias para sobreviverem às mais variadas adversidades e o quanto a manutenção do ambiente pode garantir a manutenção da sua própria cultura. A percepção do ambiente é de suma importância, já que traduz a relação que o humano possui com a natureza. Essa relação pode ser sustentável ou não. Desta forma, estudar como as populações humanas percebem e se relacionam com o meio é também um dos passos na elaboração de planos de manejo e um termômetro na avaliação da educação ambiental que esses vêm recebendo.