Título
Educação Ambiental e consumerismo em unidades de ensino fundamental de Viçosa-MG
A problemática ambiental é uma das principais preocupações da sociedade moderna, desencadeando, por isso, uma série de iniciativas para reverter a situação atual de degradação dos recursos naturais e de consequências danosas à vida na Terra. Uma dessas iniciativas é a Educação Ambiental que as escolas de 1º e 2º grau estão procurando implementar, na busca da formação de cidadãos conscientes e comprometidos com as principais preocupações da sociedade. Portanto, é necessário que seja avaliada a efetividade dessa iniciativa. Diante disso, este estudo objetivou diagnosticar como as unidades de ensino fundamental da cidade de Viçosa, MG, estão propiciando uma mudança no padrão de consumo de seus alunos, levando-os a assumir o chamado consumerismo ambiental. Neste estudo foram entrevistados alunos da 8ª série do ensino fundamental de escolas públicas – municipal e estadual – e escolas privadas da área urbana do município de Viçosa em relação ao consumo de produtos ambientalmente corretos, buscando avaliar a influência da variável ambiental na tomada de decisão pela compra de um produto, identificar os motivos que os impedem de assumir uma atitude ecologicamente correta e propor pontos de alavancagem da Educação Ambiental para maior consciência ambiental em relação ao consumerismo. Os principais resultados encontrados foram os seguintes: a maioria dos alunos (61%) confirmou a não participação em projeto de Educação Ambiental de acordo com o proposto pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. Os alunos se sentem capazes de contribuir muito com os temas ambientais relacionados ao lixo, conservação da escola e da cidade, no entanto, nas práticas relacionadas ao lixo, a maioria tem comportamento inadequado, não o depositando em local adequado; e quanto ao reaproveitamento de alimentos e de papel, um número significativo afirmou que nunca ou raramente o fazem; a maioria afirmou que toma banhos demorados (80,56%) e deixa mais de um aparelho eletrodoméstico ligado ao mesmo tempo (70,42%); em relação à água, 63,80% dos entrevistados, às vezes ou sempre, consomem água em excesso. Assim, pode-se inferir que os projetos de Educação Ambiental que estão sendo desenvolvidos nas escolas de ensino fundamental na cidade de Viçosa-MG têm sido mais discursivos e teóricos do que práticos, além de não estarem propiciando a esperada mudança no padrão de consumo e de não adotarem o consumerismo ambiental. Na verdade, o que se percebe é que os alunos expressam contradições entre um “outro” que degrada o ambiente e um “nós” que deve ser conscientizado, impedindo-os de se identificarem como sujeitos depredadores do meio ambiente. O grande desafio do descompasso entre teoria e prática que a Educação Ambiental tem enfrentado poderá ser rompido a partir do momento em que os projetos forem simples, objetivos, ajustados à vivência do cotidiano casa-escola-comunidade do aluno, desenvolvidos interdisciplinarmente, com uma fundamentação teórica por parte dos docentes e o rompimento com o modelo educacional cartesiano, dando espaço para o questionamento e a reflexão, que são próprios da Educação Ambiental.