Título
Educação Ambiental em espaços não escolarizados: um estudo na comunidade pantaneira de Barra do Aricá, Santo Antônio de Leverger, Mato Grosso
As interpretações das relações sociais são elos marcantes para o desenvolvimento de uma sociedade sensibilizada para com as questões ambientais. Este trabalho é um exercício de aprendizagem e interpretações da vivência do ser humano ribeirinho do médio rio Cuiabá, na localidade de Barra do Aricá, pertencente ao município de Santo Antônio de Leverger, MT, localizada a 30 km de Cuiabá. O objetivo principal deste trabalho é o de entender as relações dos membros dessa comunidade e seu meio ambiente, com base no processo de educação não escolarizada construído com o conhecimento acumulado e que se dá no seio da família. Desse ponto de vista, é importante conhecer as suas características culturais, a visão de seus membros sobre a realidade, as maneiras de interpretar os fatos sociais e as formas de produção de novos conhecimentos, bem como o processo educativo manifestado no cotidiano das suas atividades. Para a compreensão dos saberes instituídos e das noções ambientais que acontecem no cotidiano da comunidade de Barra do Aricá, foi utilizada a metodologia qualitativa com abordagem no caminho etnográfico. Este trabalho, conduzido por um período de 12 meses (maio de 2004 a maio de 2005), necessitou de incursões mensais na comunidade, confecção de diário de campo, acervos fotográficos, gravações de entrevistas e também contatos informais, estes últimos visando facilitar, acompanhar, presenciar e vivenciar o cotidiano da comunidade. O aporte teórico utilizado para a pesquisa contribuiu para leitura e a compreensão dos fatos cotidianos nela relatados, o que auxiliou a elucidar melhor os conceitos sobre a Educação Ambiental em espaços não escolarizados. O trabalho mostra e retrata, nos seus resultados acerca do cotidiano da comunidade de Barra do Aricá, a necessidade de um envolvimento e comprometimento por parte de educadores e demais envolvidos com a questão, a necessidade de reconstruir o elo entre o conhecimento não escolarizado e o escolarizado. Sua contribuição foi mostrar que todo o tipo de manifestação educativa em espaços não escolarizados em uma comunidade pantaneira não pode ser perdido. Esse tipo de cultura não pode ser entendido somente como um conhecimento empírico, é mais que isso, é um saber repassado de pai para filho, de avô para netos e assim por muitas gerações, aspecto que propicia aos membros da comunidade a conservação e o cuidado com o meio ambiente. As formas como o saber não escolarizado se processa são apresentadas e analisadas à luz das manifestações nas atividades diárias: a pesca, o rio, a flora, a fauna, as festas religiosas e as brincadeiras comuns detectadas.