Título
Os sentidos de natureza entre os Biólogos e Físicos: um estudo comparativo entre dois grupos acadêmicos, seus objetivos e suas práticas científicas
As representações de natureza não foram unívocas ao longo do desenvolvimento da história. Cada grupo em uma determinada época teve a sua representação do que seria natureza. Se refletirmos sobre as atividades científicas tanto quanto a de formação de professores de Ciências, podemos pensar sobre a relevância, ou não, de se ter um conceito de natureza. A associação entre educação e natureza é hoje um objetivo formalmente proposto nos documentos oficiais que norteiam os processos educativos. No entanto, mesmo como um objetivo formal, nota-se a ausência de reflexões sobre o conceito de natureza. Com a finalidade de discutir aspectos das questões relativas à natureza na prática científica e no ensino, desenvolveu-se o presente trabalho centrado em dois distintos campos da ciência: Física e Biologia. Os grupos escolhidos para esse trabalho foram os professores pesquisadores e os estudantes das unidades de Biologia e de Física de uma Universidade Pública do Rio de Janeiro. Para isso, buscamos identificar e analisar as representações sobre a natureza dos quatro grupos. A metodologia utilizada foi a do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), que está fundamentado nas representações sociais. Para obtenção dos dados dos professores pesquisadores foram realizadas entrevistas semiestruturadas. Para obter as representações de natureza dos estudantes foi utilizado um questionário específico para cada grupo que foi aplicado em os alunos dos períodos que compõem o básico dos cursos (1° a 4° períodos) e em alunos do final do curso. Os resultados da pesquisa indicam que as formulações dos professores não são derivadas de uma reflexão especial sobre o tema. Através do conjunto das respostas, verificou-se que a conceituação de natureza se deve pela presença e participação em seu ambiente de trabalho. Em relação aos estudantes, as mudanças em suas representações, ocorridas ao longo dos períodos, parecem mais consequência da pressão por determinada resposta em sintonia com a perspectiva dominante na instituição em que está vinculado, do que propriamente por um processo dialético de confronto entre hipóteses distintas, segundo os parâmetros estritos da investigação científica.