Título
O espírito moderno ocidental e a problemática ambiental: contribuições para a construção de uma espiritualidade ambiental
O século XX, também conhecido como o século das desilusões, experimentou de maneira vertiginosa todos os desenlaces do pensamento moderno. Ao mesmo tempo em que viveu todo o apogeu de uma racionalidade que implementou um modo de vida no qual a tecnologia facilitava o dia a dia do ser humano, teve que enfrentar também a crise gerada por esta forma de pensar. A crise da modernidade é a crise de valores, a crise da alma, e, sobretudo, a crise ambiental. Vivemos hoje um período em que vemos todos os valores modernos sendo questionados, e, à frente desta inquisição, podemos notar o movimento ambientalista, que surge com força, reivindicando uma transformação na forma de pensar o mundo e, principalmente, na forma de agir no mundo. Neste ínterim, encontra-se a Educação Ambiental que tenta construir uma nova forma de conhecimento capaz de fazer uma releitura da relação do ser humano com o seu meio ambiente. Porém, a Educação Ambiental não pode abrir mão de transformar a educação mais tradicional, criada sobre moldes cartesianos que levaram o ser humano a esta situação de crise. A Educação Ambiental deve despertar nos educandos e educandas o desejo epistemológico de construir uma nova relação entre o ser humano e o meio ambiente e do ser humano entre si, revelando uma nova ética, uma nova espiritualidade, uma nova técnica, diversificando a linguagem, desvelando novas racionalidades e valorizando outras formas discursivas. Este trabalho faz uma análise das bases espirituais e cognitivas que construíram a modernidade ocidental, partindo da premissa de que a crise ambiental, apesar de não ser um problema exclusivo do ocidente cristão, teve uma grande amplificação a partir desta visão de mundo, levando a um momento crucial de sobrevivência do planeta. Partindo das bases, busca contribuir para a discussão das novas espiritualidades emergentes e propor alternativas de espiritualidade compatíveis com um novo paradigma que já surge no horizonte, mas ainda não se apresenta no cotidiano da vida.