Título
Educação Ambiental: ações compartilhadas escola e comunidade
Esta pesquisa está vinculada a uma proposta de Educação Ambiental (EA) respaldada teórica e metodologicamente na investigação-ação emancipatória e na concepção freireana. Na proposta da investigação-ação, o pesquisador interage com os sujeitos sociais do contexto investigado por meio do diálogo, reconhecendo como essencial a articulação entre os conhecimentos escolares, os advindos da vivência da comunidade e aqueles abarcados a partir da aproximação de técnicos de diferentes instituições governamentais e não-governamentais. Considera-se que a participação comunitária apresenta-se como único meio dessas coletividades, assentadas em áreas públicas desprovidas de serviços de infraestrutura urbana possam reivindicar melhores condições de vida. Trata-se, portanto, de uma pesquisa comprometida com a questão social, que busca ampliar a comunicação da escola com a comunidade. Nesse sentido, envolveu uma proposta de planejamento colaborativo das atividades curriculares, da qual participaram professoras e alunos (pré-escola à 4a série do ensino fundamental) da Escola de Ensino Fundamental Municipal São Paulo (Emsp). A partir dessa proposta, confirma-se que foram viabilizadas ações que representam a intencionalidade de em cada nova experiência superar uma determinada "situação-limite". Tais ações foram denominadas "desafios", ou situações que superam a prática habitual da escola e da comunidade. De um modo geral, pode-se afirmar que as atividades ocorridas dentro do período de aulas tiveram mais êxito no plano da participação das educadoras do que aquelas que visavam formar uma equipe de estudos e de planejamento da prática educativa. Muitos fatores concorreram para desfavorecer o desenvolvimento de um estado de ânimo por parte das professoras que propiciasse uma genuína inserção de cada uma dessas profissionais e resultasse num trabalho identificado com a causa e principalmente, numa produção coletiva. Não somente o fato da maioria delas não participarem do corpo docente efetivo e atuarem como suplementares, mas a dificuldade de se estabelecer horários para que fossem realizadas as reuniões de estudos e planejamentos. E, sobretudo, a atribulação vivenciada durante os meses que antecederam e que acompanharam a greve dessas profissionais, que mesmo sem receber salários, participaram de alguns encontros. Confirma-se que o momento da ação pedagógica é aquele que mais desperta o interesse de participação, da maioria dessas profissionais, pelo que pode acrescentar à prática. Dentre os resultados, pode-se ressaltar a incorporação de mais uma proposta de Mestrado que vem sendo desenvolvida na Escola Municipal de Ensino Infantil Montanha Russa, que também atende a esta comunidade. A participação das mulheres da Vila N.S. Aparecida na organização de parcerias para realização do cadastramento dos moradores, único meio de agilizar o andamento do processo de regularização fundiária da área. A implantação da coleta do lixo, na vila, como resultado da luta empreendida em direção à mobilização dos moradores, a articulação de parcerias e a reivindicação perante o poder público. Por fim, consta como indicativo da possibilidade de futuro para o movimento organizativo iniciado, a formação de um grupo composto por mulheres da comunidade da Vila N.S. Aparecida e Pérsio Reis, que visa realizar um esforço de cooperação na produção artesanal.