Título
A aprendizagem socioambiental dos visitantes em Unidades de Conservação
Esta investigação teve como objeto de estudo a aprendizagem socioambiental do visitante a partir da percepção do ambiente pelo visitante na Trilha Interpretativa (TI) de uma Unidade de Conservação (UC). A presente pesquisa tem como pressupostos teóricos que fundamentam as discussões os estudos propostos por Piaget em relação à construção do conhecimento. As questões que este estudo busca responder referem-se a: que contribuições a visita a uma Área de Proteção Ambiental pode apresentar para viabilizar a aprendizagem socioambiental dos visitantes?; em que situações a experiência dos visitantes proporciona a aquisição de atitudes socioambientais?; como a interação dos visitantes com o ambiente, pode gerar desequilíbrios cognitivos capazes de promover a aprendizagem socioambiental? Os objetivos da presente pesquisa são: investigar os fatores que promovem a percepção dos visitantes em uma TI que podem implicar na aprendizagem socioambiental; descrever situações na TI que podem contribuir para que os visitantes desenvolvam atitudes socioambientais a partir da visita a uma área de proteção ambiental; e, também, analisar momentos em que a percepção dos visitantes produz um desequilíbrio cognitivo. A pesquisa foi desenvolvida na Trilha Autoguiada e Interpretativa do Parque Estadual do Guartelá (PEG), município de Tibagi no estado do Paraná. Os sujeitos da pesquisa foram os indivíduos que visitaram a Unidade de Conservação (UC) no período de fevereiro, e também, maio a agosto do ano de 2008. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com uma metodologia que envolve uma interface da pesquisa-ação com a pesquisa do tipo etnográfica. Utilizou-se como procedimentos para a coleta de informações: um questionário semiestruturado, aplicado aos visitantes em uma intervenção exploratória, com a finalidade de diagnosticar a relevância da visita a uma UC; a entrevista não-diretiva direcionada aos visitantes no percurso da trilha; além, da observação com roteiro próprio. Apresenta-se como resultado a potencialidade educativa de uma TI. Quanto aos sujeitos, ficou expresso que os indivíduos que se mostraram mais sensibilizados com o ambiente também não ultrapassaram a centração no processo de construção do conhecimento. Já os sujeitos que problematizaram as características do ambiente mostraram um esforço de descentração. Com esta investigação foi possível concluir que as atividades promovidas durante as intervenções, possibilitaram a percepção do visitante na TI. O desequilíbrio cognitivo apresentado por alguns dos sujeitos fez com que esses estivessem mais suscetíveis à aprendizagem.