Título
Abordagem ambiental em livros didáticos de 1ª a 8ª Série do ensino fundamental de 1983 e de 2008: um estudo comparativo
Esta pesquisa, desenvolvida junto ao Grupo de Pesquisa Filosofia e Educação – Educogitans, que atua junto ao Programa de Pós-graduação em Educação – Mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau – Furb, trata do desafio de desenvolver produção de bens, promover bem-estar e tecnologia com preservação ambiental e manter a vida com dignidade. A questão ambiental passa pela discussão de que é necessário mudar o atual modelo de produção e consumo, bem como a matriz energética para fontes renováveis e limpas, considerando também que é necessário estabelecer relações que valorizem e respeitem todos os viventes e estruturas que compõem a biosfera. Para lidar com esses dilemas a pesquisa promoveu uma construção teórica e um debate sobre a sustentabilidade e o papel da educação nesse cenário. Entre os anos 70 e 90 do séc. XX emergiu a Educação Ambiental como suporte do paradigma ambiental. Em apenas 20 anos ela não conseguiu se impor como algo importante e referencial para a educação como um todo, sendo incapaz de orientar os processos educativos para a mudança da mentalidade de consumo e progresso humano, como sendo geradores de impactos ambientais que comprometiam a capacidade do planeta se reorganizar diante da intensidade do impacto. A partir de 1992 surge a ecopedagogia, gestada na Carta da Terra e ancorada na ética e no cuidado como referenciais maiores. Enquanto proposta educativa abrangente, a ecopedagogia propõe mudança nas relações humana, social e ambiental, em que pese a sustentabilidade, a autonomia e a libertação e do confronto à lógica predatória do mercado, traduzida em degradação humana e ambiental, fruto da acumulação e do uso insustentável dos recursos naturais. A pesquisa se desenvolveu com o confronto da análise de livros didáticos de Ciências, realizada em 1983/1984, com a análise de livros didáticos de Ciências editados em 2007/2008. É importante destacar que os dois conjuntos de livros foram avaliados com uma ficha de análise, construída com base no suporte teórico da presente pesquisa para possibilitar o confronto entre os dois conjuntos de livros. Decorridas quase três décadas, com a coleta, análise, tratamento e interpretação dos dados a pesquisa constatou que alguns autores de livros didáticos de Ciências debatem a questão ambiental nos conteúdos programáticos de seus livros, enquanto outros ainda mantêm uma postura antropocêntrica, de dominação e subjugação dos demais componentes ambientais. Entendeu-se que após pesquisar o corpus de 32 livros didáticos de ciências, sendo 16 pesquisados por Keim em 1983/1984 e 16, das coleções 2007/2008, a dimensão que os livros dão à vida e ao debate sobre a questão ambiental deveria ser mais contundente e explícita. A pesquisa teve no movimento ambientalista, no mercado e na ética a perspectiva de análise, com abordagem qualitativa da análise de conteúdo. O estudo comparativo ocorreu com o instrumento de coleta de dados, Iara. O Iara foi construído considerando-se cinco aspectos de análise e 25 indicadores, baseados nos valores e princípios de sustentabilidade da Carta da Terra, na Agenda 21 e na bibliografia pertinente. Confrontados os dois períodos, percebeu-se que há muito a avançar na direção da Educação Ambiental com referência prioritária à dimensão ontológica, uma vez que a responsabilidade pela preservação, recuperação e manutenção de ecossistemas e comunidades de vida é de todos os humanos; pois é para humanos que devemos legar uma educação eminentemente ambiental, na medida em que cuidarmos dos humanos e dos demais inquilinos da terra.