Título
O estatuto ético-político da questão ambiental e relações socioambientais sustentáveis
A pesquisa apresenta e examina argumentos de autores que abordam aspectos das relações sociedades/ecossistemas após a metade do século XX. A investigação reconhece que o agravamento atual da questão ambiental é consequência, por um lado, de um modelo político de produção econômica que não estabelece de modo adequado e razoável as relações socioambientais e que, por outro lado, é consequência do exercício de concepções políticas e éticas que não consideram o homem como parte dos ecossistemas e portanto como responsável pelos desequilíbrios sociais e ambientais que resultam de suas decisões e ações. A investigação enfatiza que os interesses das grandes corporações econômicas presentes nas atuais políticas internacionais de produção e mercado têm comprometido a efetivação de acordos e protocolos socioambientais, tais quais de Kyoto, do desarmamento e das ações da ONU para o combate à fome. A crítica a esses interesses particulares e a apresentação de alternativas que se aproximam às sustentáveis para as relações econômicas, educacionais, políticas, e de gestão dos recursos naturais do planeta têm-se manifestado nas últimas conferências ambientais articuladas pela ONU, através de muitas autoridades governamentais, especialmente dos países pobres e ONGs ambientalistas. Destaque-se as perspectivas apresentadas por estas organizações ambientalistas de redemocratização das relações humanas no cenário político global, para as quais, no todo, o processo implica antes de tudo no estabelecimento de prazos e limites dos projetos humanos, para os quais somente as sociedades poderão determinar. No todo, a pesquisa apresenta argumentos de autores que apostam na participação e responsabilização universal pelas questões socioambientais. Distantes de considerar como catastrófico o atual panorama ambiental está a perspectiva do uso adequado dos conhecimentos científicos para enfrentar os problemas resultantes do processo produtivo. Mais ainda: pelas implicações que o uso de determinados conhecimentos podem produzir sobre os ecossistemas, o direito de opinião, de divergir e concordar, representa no contexto democrático a perspectiva do respeito à diversidade e da manutenção da vida no planeta.