Título
Serra do Cipó - MG - ecoturismo e impactos socioambientais
Nesta encruzilhada histórica em que vivemos, na qual a chamada sociedade global se torna escrava da informação e as pessoas se tornam meros consumidores ou dados estatísticos na projeção econômica de algum gigantesco conglomerado transacional, o turismo surge como uma atividade quase redentora da economia mundial, abalada pelos milhões de desempregados, resultantes da modernização dos meios de produção. Como uma verdadeira amálgama pós-moderna o turismo usufrui da melhoria dos meios de transporte e de comunicação e, em contrapartida, requisita-os por todos os recantos do planeta; aquece a economia local, regional e global, exige intervenções seja do poder público ou privado; gera empregos, exige qualificação profissional, boa aparência, hospitalidade e bom atendimento. De tão amplo e abrangente se multiplica em segmentos: cultural, rural, urbano, ecológico, religioso e de negócios, é claro. Carece, entretanto, de planejamento sério, profissional, abrangente, multilateral e democrático, em particular no Brasil e mais especificamente em Minas Gerais. A Serra do Cipó, centro geográfico deste estudo, também não escapou do " fenômeno" turismo. Tornou-se nos últimos dez anos um importante foco de atração, principalmente dos adeptos do ecoturismo, modalidade promissora, muito mais divulgada do que realmente praticada. Milhares de pessoas da capital, de outras regiões do estado, do país e até estrangeiros procuram a serra anualmente graças as suas inegáveis belezas naturais como rios e cachoeiras cristalinas, vegetação singular e diversificada, trilhas naturais por vales e montanhas, uma população simpática e hospitaleira e a relativa proximidade de Belo Horizonte, da qual dista exatos cem quilômetros. O grande volume de turistas e a falta de planejamento tem gerado conflitos e agressões antrópicas ao patrimônio natural da serra e aos costumes e cultura da população local. Este estudo avaliou a inserção da atividade turística na Serra do Cipó a partir de um diagnóstico dos impactos socioambientais do segmento denominado ecoturismo. Pesquisas de campo e entrevistas com os visitantes e moradores avaliaram as suas percepções pessoais quanto aos problemas locais e a sua participação. Foram identificados sete problemas-chave e elaboradas propostas de solução técnica-científica para cada um deles. As propostas têm como suporte a Educação Ambiental e a informação turística, com destaque para a cartografia. Os resultados, por um lado, reforçam o caráter espontâneo, não-científico e pouco profissional do desenvolvimento da atividade turística no Brasil, mas também retrata aspectos positivos como o reconhecimento e a conscientização, por parte dos envolvidos, da necessidade de planejamento e pesquisa para a sua sustentabilidade.