Título
Programa de educação não formal para a utilização de eletricidade: uma experiência em comunidades carentes (2003-2004)
O estudo tem por objetivo apresentar e analisar o programa educativo “Energia e Cidadania”, implementado em comunidades carentes de três municípios da Baixada Santista. Esse programa foi planejado e coordenado pela Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL), em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie e com a colaboração de órgãos da administração publica e de lideres das comunidades que foram o objeto do programa. Sua proposta foi fornecer subsídios para o desenvolvimento de atividades educativas não formais, de caráter interdisciplinar, que pudessem contribuir para o processo de mudanças de comportamento, tanto em relação ao uso racional de eletricidade, quanto em relação à preservação ambiental. Numa primeira etapa, o presente estudo faz um levantamento bibliográfico da situação das principais matrizes energéticas no contexto de Brasil, na busca de subsídios que servissem como referencial teórico do programa. Numa segunda etapa foi feita uma pesquisa de campo que contou com a participação de 96 moradores das comunidades estudadas e com 7 professores e alunos que ministraram palestras e participaram em várias atividades. A metodologia utilizada foi a qualitativa, mais especificamente um estudo de caso exploratório e participativo. Os resultados mostram que a maioria dos moradores entrevistados considerou que o programa, discutindo aspectos importantes, foi muito bem recebido, possibilitando reflexões sobre os problemas energéticos e seus riscos e também a conscientização sobre problemas ambientais. Para os professores e alunos, o programa proporcionou a oportunidade de vivenciar uma experiência educativa não formal e de poder contribuir com importantes informações em três municípios onde vivem pessoas em extrema pobreza e sem a infraestrutura energética tão necessária para o desenvolvimento socioeconômico. O presente estudo destacou não só a necessidade de se valorizar sempre mais a educação ambiental não formal, diante da realidade existente em regiões carentes, como também a importância de programas semelhantes, visando a promoção do bem-estar das populações excluídas. O trabalho alinha-se à tendência de valorização da formação de uma consciência cidadã, observando-se e avaliando se que, de fato, o programa foi um agente transformador de mudanças desses moradores em relação à regularização das instalações elétricas e hábitos de uso racional de energia.