Título
Autopoiese e educação no movimento do Santo Daime
A pesquisa pretende dar elementos para a construção de um novo modelo de compreensão da realidade, que supere o velho paradigma modernista, fundamentado teórica e praticamente no liberalismo econômico, o qual tem levado a humanidade, no percurso dos anos, aos maiores níveis de exclusão social e de depredação do meio ambiente que encontramos na atualidade. Disso decorre que é urgente apresentar novos modelos de relacionamento, encontro e mútuo desenvolvimento, de responsabilidade e de liberdade entre tudo o que é vivo, mais ainda, entre tudo o que é sensível, de tal forma que as redes, as interconexões e inter-relações, que possam ser construídas sejam alicerçadas no cuidado mútuo, na corresponsabilidade e na autoimplicação de todos os envolvidos nos processos de criação e de organização dos sistemas culturais e bióticos, isto é, os seres humanos e o meio rural. É assim que, depois de se adentrar o cotidiano do movimento do Santo Daime, no seu devir ontogenético e filogenético, é apresentado como alternativa ao paradigma modernista o paradigma autopoiético, que trata de harmonizar a relação homem-mundo-cosmos. Compreende-se que essa nova forma de pensamento, circular, autopoiético, tem de perpassar a escola, pois, se a educação contemporânea nos convida à apropriação, à exploração do mundo natural, e não à nossa coexistência harmônica com ele, essa educação não serve, deve ser reescrita. Criar e repassar essa nova cosmovisão não é só competência da escola, esse novo paradigma deve ser construído, no dia a dia, na cotidianidade, nas múltiplas inter-relações societárias, das comunidades e dos movimentos que aparecem como os novos e emergentes atores sociais. Ainda que alguns teimem em afirmar que são a competitividade e a agressão as emoções fundamentais que definem o humano, o autor teima, por sua vez, em afirmar ser o amor, a coexistência e a aceitação do outro como um legítimo outro na convivência o que constrói e fundamenta a filogênese humana.