Título
O ambiente e a publicidade: elos para a educação ambiental
A leitura e a escrita fazem parte da nossa vida, bem como o contato com as diferentes linguagens e textos que circulam no dia a dia. Assim, ao pensarmos na relação das ciências biológicas com a mídia, entendemos que há uma abrangência de temas não estritamente ambientais e que originam um debate amplo, trazendo consigo relações conflituosas, sejam elas sobre a ordem natural, social, política, cultural, econômica, histórica ou científica do tema. A pesquisa sobre a visão de ambiente contida nas propagandas nos revelou que havia um espaço a ser explorado na questão da concepção de ambiente que surgiria na leitura das mesmas enquanto componentes que fazem parte da nossa cultura, neste tempo e em nossa atual realidade história. Desse modo, a questão que queremos abordar aqui trata das imagens da natureza que se relacionam com os adjetivos natural e verde e com o termo meio ambiente, veiculados através dos anúncios publicitários, neste caso específico, os impressos. Foram selecionados cinco anúncios, pertencentes à revista Veja, conforme a presença de atributos naturais, e a partir desses foram realizadas entrevistas narrativas com os dez participantes da pesquisa, buscando a percepção, significado e criação construída pelo leitor para um dado conjunto de imagens e informações. Os anúncios revelaram na fala de muitos entrevistados muitos aspectos da questão do ambiente-natureza e com base na tipologia de Sauvé (1997) foi possível contextualizar as concepções de ambiente contidas em suas leituras. Notamos que a importância se remete às qualidades percebidas e o produto veiculado acaba se perdendo nas falas dos entrevistados, assim a aproximação do leitor é gerada por uma imagem de beleza e encantamento e através do discurso percebe-se que a referência ao produto/consumo é esquecida, dando lugar às experiências vividas, admiração e expressão do ambiente natural. Dessa forma, seja nos contrapontos, antagonismos ou dualidades, aqui são tecidas narrativas que partem da riqueza de percepções e seletividades de cada indivíduo. Ao mesmo tempo que se atribui sentido novo ao conjunto de imagens-palavras, revela-se a consciência e uma forma de resistência espontânea que é distante da ideia de persuasão e manipulação de massas. Decerto sabemos que o momento atual implica novos vínculos que sejam desenvolvidos para além da destruição da natureza e que avancem para questões mais profundas da relação humana com o ambiente. Por tudo isso, os anúncios podem possibilitar o diálogo, haja vista que aquilo que nasce da aproximação concreta do sujeito com sua realidade é capaz de gerar conhecimento e experiência autêntica, pois a consciência de si mesmo e a partilha dessas percepções num momento de reflexão com o foco da educação ambiental podem ser um caminho para educadores e educandos. Por fim, a educação ambiental pode ser expressa no imaginário, nas crenças, no simbolismo, modos de vida, semelhanças e divergências, proporcionando o contato com possíveis mundos e visões, bem como no desafio de propor a integração para o ser humano que ainda não se produziu como um ser natural.