Título
Educação não-formal e a prevenção da esquistossomose: a exposição de malacologia do Museu Arqueológico de Central, Bahia
Este trabalho faz parte de um estudo mais amplo, o Projeto Central, o qual vem sendo desenvolvido desde 1982 pela equipe do setor de arqueologia/MN, na Região Arqueológica de Central, Bahia. Essa região tem apresentado resultados encorajadores para o avanço de pesquisas, sendo desenvolvidos estudos pré-históricos e históricos através de evidências arqueológicas, como pinturas rupestres, artefatos, animais pleistocênicos etc, em abrigos, grutas, tanques e lajeados. Durante os anos de 2004 e 2005, várias amostras de moluscos límnicos sub-recentes e recentes foram obtidas, dentre elas Biomphalaria aff. glabrata e Biomphalaria straminea, vetores da esquistossomose no Brasil. Das parasitoses transmitidas por caramujos, a esquistossomose é a mais importante em termos de saúde pública. Seja considerando o número de casos novos ou o de regiões até a pouco indenes, a expansão dessa parasitose no país vem sendo largamente citada na literatura, sendo a Bahia, um dos estados que apresenta maior área de transmissão da esquistossomose, incluindo regiões de alta endemicidade. Embora no município de Central não se tenha notificações dessa parasitose, fatores importantes tais como a presença de hospedeiros intermediários, condições de saneamento precárias e proximidade com municípios reconhecidamente considerados como áreas endêmicas, fazem com que essa região seja vulnerável ao estabelecimento de focos de transmissão da esquistossomose. Com base nesses pressupostos, foi proposto um estudo com o objetivo de desenvolver uma estratégia de educação não-formal, para divulgar o conhecimento sobre malacologia e a prevenção da esquistossomose voltada à realidade socioambiental de professores e alunos, através de uma exposição didática, implantada no museu arqueológico de Central. Essa proposta de divulgação deve-se ao fato desse museu ser um meio de divulgação científica utilizado pela equipe do Projeto Central e ainda pela sua localização, junto a uma feira regional semanal, oferecendo condições de visitação para as pessoas de pequenos povoados, que só se deslocam para a cidade no dia da feira. A metodologia empregada combinou pesquisa quantitativa com qualitativa, sendo os procedimentos metodológicos divididos em duas fases: 1ª - levantamento malacológico e levantamento de conhecimentos sobre o saneamento básico local e esquistossomose; 2ª - elaboração, implantação e avaliação da estratégia proposta. Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram entrevistas, questionários e observação direta durante a visitação na exposição, tendo como público-alvo alunos e professores de escolas públicas do município de Central. Após a análise da visitação, pode-se perceber um aumento do conhecimento tanto de alunos quanto de professores em relação aos temas tratados. Os resultados dessa estratégia mostraram a relevância do objetivo do presente estudo, tanto para aproximar a comunidade de alunos e professores com o espaço institucional, o museu, como para levar um conhecimento que pode atuar dentro de uma visão de promoção da saúde. Nessa localidade, a exposição didática teve um impacto importante e constituiu portanto, uma estratégia eficaz.