Título
Antenas ligadas para preservar a biodiversidade: concepções alternativas no ensino de Ciências
Este trabalho foi realizado durante o ano letivo de 2004 com alunos de uma escola pública no município de Nilópolis, Baixada Fluminense; estado do Rio de Janeiro, com o intuito de verificar as percepções dos estudantes de ensino fundamental, com idades entre nove e dezessete anos, sobre a importância dos insetos e a interação com o homem e o ambiente em que vivem. Objetivamos uma reflexão sobre o binômio danos-benefícios proporcionados por insetos dentro do processo de ensino-aprendizagem, visando conscientizar os alunos sobre a importância de preservar e respeitar a diversidade das espécies de insetos, estabelecendo as tão desejadas relações harmônicas que possibilitem uma educação ambiental de qualidade como forma de contribuir para a cidadania. A princípio, foram aplicados 115 questionários semiabertos para os alunos do segundo segmento do ensino fundamental com idades entre 10 e 17 anos, 57 questionários abertos para alunos de 13 a 17 anos da sétima e oitava série e foram analisados os desenhos dos alunos do primeiro segmento com idades entre 9 e 11 anos, com o intuito de verificar suas concepções sobre os insetos para fornecer subsídios a implementação de novas metodologias de ensino. Foi possível verificar que os alunos têm mais nojo que medo de insetos transmissores de doenças e que não dão a real importância aos mesmos, quer seja no controle de vetores ou no processo de polinização. No caso da dengue, os entrevistados têm medo da doença, e não do vetor, o mosquito, e em nenhum momento mencionam o vírus como causador da doença. Observamos que as concepções errôneas construídas no âmbito escolar convivem com concepções do cotidiano influenciadas pela mídia e por preconceitos já incutidos no ambiente familiar, ou seja, no cotidiano. Foi possível a análise dos livros didáticos utilizados na sexta série do ensino fundamental da escola, já que os insetos são abordados principalmente nessa fase do ensino, e a constatação de erros, tanto na parte textual como na parte visual dos livros. Em relação aos insetos e suas relações com o homem e o ambiente, verificamos que o material de campanhas locais sobre dengue também induz ao erro sobre o vetor da doença, contribuindo para a formação de concepções errôneas. A partir daí, tentamos estabelecer três metodologias: montagem de insetário, aulas práticas com o auxílio de lupa manual e oficina de desenho, permitindo que os alunos identificassem insetos quanto à possibilidade de causar danos ou benefícios à comunidade onde vivem, estabelecendo hábitos de conduta que permitam o seu controle como parte da rotina diária. Verificamos que há dificuldade em associar formas imaturas aos adultos de insetos devido à incompreensão do processo de metamorfose, que acontece com a maioria desses seres vivos. A criação de insetários por grupos de alunos nos permitiu constatar que houve maior grau de entendimento sobre metamorfose quando houve a prática na construção do conhecimento.