Título
Educação ambiental como projeto: interpretação, reflexão, ação e o desenvolvimento do turismo local
Ao conceber-se a crise ambiental de nossa sociedade atual como uma crise de percepção, considera-se que o descontrole nos mecanismos reguladores da relação sociedade-natureza fundamenta-se na tensão existente entre os paradigmas mecanicista e da complexidade. Dados da literatura apontam que a educação é capaz de conduzir a adoção de crenças e valores, capazes de orientar à tomada de decisão ambientalmente consciente. Entretanto, parte dos estabelecimentos de ensino responsáveis pela educação formal no nível médio estrutura o processo de ensino-aprendizagem a partir de conteúdos discretos em disciplinas estanques. Nesse contexto, a educação ambiental, como conceito e instituição, surge como resposta ao dilema paradigmático, integrando o ambiente escolar à realidade socioambiental. Ao propor uma reflexão cítica, fundamentada no ethos humano do cuidado, na ressignificação de conteúdos através do desenvolvimento de atividades interdisciplinares e multidisciplinares e no aumento da autonomia discente, em oposição a uma heteronomia imobilizadora, a educação ambiental rompe com a linearidade do saber formal, integrando conteúdos e disciplinas e permitindo a percepção ambiental consciente, a partir da complexidade. O objetivo deste trabalho é apresentar um caminho metodológico para a implementação de um projeto em educação ambiental no nível médio de ensino. Outros objetivos consistem na emergência de um debate crítico e no desenvolvimento de atividades relacionadas à cidadania, ao mercado de trabalho e ao papel da comunidade escolar na sociedade. Este trabalho, realizado na Escola Estadual de Ensino Médio Úrsula Lianza, na cidade de João Pessoa, Paraíba, teve como eixo norteador o envolvimento da comunidade escolar na reflexão-ação sobre a sustentabilidade da atividade turística na região litorânea do estado. O método empregado consistiu em quatro etapas: (a) o uso de questionários para a obtenção de um perfil da comunidade escolar e a coleta de dados sobre o turismo; (b) o acompanhamento da rotina escolar; (c) a participação e intervenção no processo de ensino-aprendizagem, reconhecendo e integrando as atividades escolares, e (d) a promoção de um evento escolar para a comunidade, divulgando o resultado da análise crítica sobre o modelo de desenvolvimento do turismo no litoral do estado da Paraíba. Os resultados sugerem que a autonomia discente permite maior envolvimento no debate crítico sobre as questões socioambientais. Em atividades escolares propostas pelos docentes, desconexas da realidade da comunidade escolar, apenas o livro-texto é utilizado como fonte de consulta; é significativo, porém, o uso de outras fontes de dados e o envolvimento nas atividades que abordam realidade local e/ou temas definidos em acordos entre o docente e o discente. A partir do perfil escolar obtido, a valorização da autonomia discente na escolha do tema e no planejamento da(s) atividade(s) empírica(s) promove maior envolvimento discente, e amplia a compreensão e instrumentalização dos conteúdos formais para o desenvolvimento da visão crítica no exercício da cidadania.