Título

Os saberes ambientais em movimentos populares no entorno das lagoas Itaperaoba e Papicu

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Ana Maria Ferreira Cardoso
Nome do(a) orientador(a)
João Batista de Albuquerque Figueiredo
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2008
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

Este trabalho tem por objetivo compreender como ocorre a constituição de saberes ambientais em movimentos pela revitalização de lagoas em Fortaleza, identificando a relação entre suas demandas e a constituição de saberes populares em torno da questão ambiental, com o fim de estimular uma práxis coletiva. A orientação teórico-metodológica está na leitura de mundo histórico-dialética, associada a uma ênfase na relação, propiciada pela perspectiva ecorelacional (PER). Trata-se de uma pesquisa participante, que se beneficiou do uso das seguintes técnicas: observação participante, por meio da interação contínua da pesquisadora com seus (suas) colaboradores (as); entrevistas semi-estruturadas, baseadas em roteiro com questões abertas e tópicos, enfocando o histórico de atuação dos (as) autores (as) nos movimentos e sua percepção sobre os saberes tecidos e as dinâmicas populares e ambientais; grupo focal, para a obtenção de elementos sobre os saberes ambientais e propiciar a interação entre dois grupos populares distintos. Esta pesquisa é referenciada por uma proposta de Educação Ambiental crítica e dialógica na tematização da corporificação, vivência e constituição de saberes ambientais no cotidiano popular. Os resultados expressam-se em três categorias fundamentais identificadas como mediações que propiciam a tessitura de saberes nos referidos grupos populares. Estas categorias são: as relações sociais que constituem os movimentos populares e, ao mesmo tempo, são por estes estabelecidas: o próprio movimento; e os referenciais da formação de seus (suas) autores (as) sociais. Na vivência e nas falas dos (as) interlocutores (as) identificam-se saberes e valores relacionados: ao respeito, à compreensão de ambiente, à responsabilidade planetária, à complexidade, à leitura crítica da realidade, à burocracia ambiental, à importância do coletivo, às dinâmicas dos movimentos e à auto-percepção. Conclui-se que do entrelaçamento entre diferentes mediações, identifica-se a tessitura de saberes enriquecedores da práxis individual e coletiva. As relações estabelecidas no interior dos grupos impulsionam o reconhecimento do (a) outro (a), seja nos limites postos por este (a) ou na potencialização dos aprendizados, ao confrontar sua realidade com outras. Há ainda a necessidade de uma reflexão e vivência maior sobre o ser grupo. A relação com o lugar, com destaque para a lagoa como um de seus componentes, está fundada na afetividade que possibilita a ressignificação dos espaços urbanos. A lagoa assume essa posição de lugar que comporta lembranças, símbolos e interações referentes à vida das pessoas e da coletividade como um todo, elementos individuais entrelaçados com lutas e sonhos coletivos. Em síntese, a práxis ambiental exige significação afetiva do lugar, pois não bastam as condições estruturais para que saberes sejam tecidos.


Classificações

Contexto Educacional
Data de Classificação:
12/03/2015