Título
(In)Sanidade ambiental e (in)segurança alimentar: ações da Pastoral da Criança em bairros periféricos de Manaus
O objetivo deste trabalho foi analisar o papel da sociedade civil organizada na promoção da sanidade ambiental e segurança alimentar sob o ponto de vista das ações que a Pastoral da Criança vem desenvolvendo nas, assim denominadas, comunidades Cristo Rei, Santa Clara e Santa Inês, na área João Paulo II, no bairro Jorge Teixeira, na cidade de Manaus, Amazonas. Adotou-se na pesquisa, a abordagem sistêmica ligada à escola filosófica da complexidade, que propõe a abordagem multidisciplinar para a construção do conhecimento. O método empregado foi o estudo de caso com a combinação de várias fontes de evidências. Os sujeitos sociais foram as donas-de-casa das unidades familiares, mães de filhos abaixo de seis anos, assistidas pela Pastoral da Criança. A análise dos dados mostrou que o nível de insanidade e desordem ambiental dos estrados sociais migrantes está relacionado principalmente ao não acesso quantitativo e qualitativo dos serviços de água e esgotamento sanitário. Essa problemática ambiental vulnerabiliza as condições de saúde dos moradores, em especial das crianças. Por outro lado, uma situação preocupante de insegurança alimentar ocorre devido à insuficiência de renda monetária. A Pastoral da Criança tem contribuído para amenizar os efeitos da degradação ambiental e da insegurança alimentar por meio de ações educacionais relacionadas com os cuidados de saúde às gestantes e com o desenvolvimento integral das crianças da primeira infância. Metodologias de trabalho, como a viabilização de espaços, nos domicílios, para a prática de brincadeiras infantis e para a criação de hortas, visando facilitar o acesso alimentar mais enriquecido, pelo suprimento, sobretudo, de vitaminas e sais minerais, têm sido também implementadas. A ausência de mortalidade infantil foi conseguida pelo aleitamento materno exclusivo por seis meses e estendido até cerca de dois anos de vida, assim como pela concepção da alimentação enriquecida, com redução de custos alimentares. A partir desses indicadores, é possível concluir que as ações da Pastoral da Criança, mesmo sob o olhar de uma comunidade com limitação de funcionamento, mostra-se de aplicabilidade relevante no melhoramento das condições de vida de famílias que moram em bairros considerados pobres, podendo constituir subsídio para políticas públicas nos âmbitos de sanidade ambiental e segurança alimentar.