Título
Sensibilização: diferentes olhares na busca dos significados
Ao fazermos um resgate da nossa história composto pelas interfaces entre natureza, ciência e a construção de nossas identidades, podemos perceber que algumas concepções construídas a partir desses três aspectos nos levaram ao distanciamento do nosso componente sensível, mas, que também, podem hoje, ser os responsáveis por nossa reflexão sobre os valores e princípios que tecem a Educação Ambiental. A Educação Ambiental como nova forma de construção de conhecimento, relacionamento com o meio e de despertar nossa sensibilidade vem buscando novas metodologias para sua realização. Neste processo aparece, o que chamo de sensibilização, um processo educativo de tornar sensível, possibilitando uma vivência que pode construir conhecimentos não só pela racionalidade mas também a partir de sensações, intuição e sentimentos. Apesar de bastante utilizada e divulgada dentro e fora da Educação Ambiental existe uma carência de reflexões teóricas sobre a sensibilização, no sentido de compreender e analisar sobre a maneira que é utilizada, o porquê de ser utilizada, quais as suas contribuições para a Educação Ambiental e ainda sobre os limites que ela apresenta. Forma estas questões que me auxiliaram na construção do meu caminho, revelando minhas inquietações e curiosidades e foi buscando significar as diferentes dimensões que a sensibilização envolve é que me dediquei a escrever esta dissertação. Através de entrevistas realizadas com educadores ambientais que se utilizam das sensibilizações, compus diferentes categorias de análise para a construção de significados da sensibilização. As categorias de análise foram pensando sensivelmente, que reflete sobre o contexto que possibilita a sensibilização; Revelando a sensibilização, que traz a sua importância e seus objetivos; O fazer sensível, que revela a forma como ela acontece; Continuamente sensibilizando(-se), que traz a sensibilização enquanto um processo educativo e vivencial, Inspirando sensibilidade, que mostra as relações existentes entre ela e a Educação Ambiental; subjetividade sensível, fazendo reflexões sobre o educador ambiental que dela se utiliza; e desenfoques sensitivos que aborda sobre os limites que a sensibilização possui. O (des)envolvimento e os resultados desta pesquisa caminham para a compreensão da sensibilização, enquanto vivência e possibilidade de transformação humana para que os objetivos e princípios da Educação Ambiental possam ser concretizados.