Título

Agricultura familiar, extensão rural e sistemas agroflorestais: a experiência do CAV no Alto do Jequitinhinha

Programa Pós-graduação
Administração
Nome do(a) autor(a)
Alini Fernanda Bicalho Noronha
Nome do(a) orientador(a)
Áureo Eduardo Magalhães Ribeiro
Grau de Titulação
Mestrado
Ano de defesa
2008
Dependência Administrativa
Federal
Resumo

O sistema agroflorestal (SAF) é uma técnica de produção agrícola na qual se combinam espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos temporários, de ciclo anual. Os SAFs têm a capacidade de, ao longo do seu manejo, tornar produtivas áreas degradadas, melhorando seu uso produtivo e ecológico. Tem-se então uma importante ferramenta, apropriada para agricultores familiares, como base para programas públicos de combate à pobreza rural, segurança alimentar, conservação de recursos naturais e educação ambiental. Na região do Alto Vale do Jequitinhonha, a prática do SAF foi proposta pelo Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica, CAV, buscando a recuperação das áreas intensamente exploradas e degradadas, conhecidas no local como peladores, a fim de reconvertê-las em áreas produtivas. O SAF, além de seus ganhos nos aspectos ambientais e econômicos, constitui-se como um espaço de inovação técnica para a família e para a comunidade. Nesse sentido, foram avaliadas as suas possibilidades de irradiar efeitos inovadores dentro da comunidade, tanto da perspectiva do agricultor praticante de SAF como da perspectiva dos agricultores não praticantes de SAFs, mas que vivem na mesma comunidade: em que medida o SAF consegue estabelecer diálogos, exemplificar, potencializar programas de trabalho associados à inovação ou à conservação ambiental? Buscou-se também investigar em que medida o acúmulo de experiências vivenciadas por agricultores monitores de SAF apresenta potencial de influenciar programas públicos locais, e para construir novas parcerias com as redes de organizações dos municípios que fazem parte. A pesquisa foi realizada em sete comunidades rurais dos municípios de Turmalina, Minas Novas, Chapada do Norte, Veredinha e Leme do Prado, onde houve participação de profissionais e estudantes da Universidade Federal de Lavras (Núcleo de Pesquisa e Apoio à Agricultura Familiar), técnicos do CAV e agricultores familiares (monitores e não monitores do CAV), em oito sistemas agroflorestais de produção. Entre os resultados, destaca-se a inovação na metodologia de trabalho adotada pelo CAV, onde os monitores, com seus saberes e técnicas, são atores de fundamental importância na construção de políticas de desenvolvimento. Os agricultores são os experimentadores das técnicas dos SAFs, opinando e adaptando a técnica às diversas realidades sócio-ambientais das unidades produtivas. Dessa maneira, a apropriação da técnica tornou-se mais eficiente, e os monitores transmitem aos seus pares uma técnica vivenciada, conhecendo em detalhes os benefícios e dificuldades dessa proposta de produção agroecológica. Esse processo de capacitação também dá aos agricultores condições técnicas de propor às agências governamentais ou da sociedade civil organizada, a construção de programas de desenvolvimento baseados na realidade do local. O trabalho com o SAF permitiu a construção de espaços de capacitação de lavradores, de organização comunitária, de reflexão conjunta de novos projetos. Os processos de produção e adaptação de inovações, como o caso do SAF, podem crescer e ganhar eficiência e abrangência, sendo intensificados e enriquecidos pelo apoio do poder público ou por processos de aprendizagem coletiva e/ou de organização, favorecendo o diálogo, o intercâmbio e a socialização das experiências e do conhecimento de agricultores e técnicos.


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