Título
Potencial de uso do componente vegetal e estudo da percepção ambiental dos moradores residentes às margens do Riacho Águas Vermelhas, Parnamirim/RN
O ser humano faz uso da flora desde épocas remotas, entretanto, muito desse conhecimento vem se perdendo devido ao modelo de desenvolvimento de sociedades industrializadas. A etnobotânica surge como uma ciência que busca integrar o conhecimento botânico científico à significação cultural, ao manejo e aos usos tradicionais das plantas pelas comunidades. Fundamentado nessa perspectiva teórica, o objetivo geral deste trabalho foi analisar a potencialidade e formas de uso da flora fanerogâmica de fragmentos de floresta ciliar no município de Parnamirim, RN. Constituem os objetivos específicos: 1) proporcionar avanço no conhecimento da flora nativa e introduzida que compõem esta vegetação ciliar, construindo uma lista com as espécies registradas na área para aplicação em projetos de recomposição; 2) verificar o potencial de uso de plantas por comunidades assentadas ao longo do Riacho Águas Vermelhas e 3) estudar a percepção das populações ribeirinhas acerca de meio ambiente em geral e verificando sua relação com a vegetação remanescente. Para atingir esses objetivos foi realizado um inventário florístico herbáceo-arbóreo da vegetação ciliar, e aplicadas entrevistas semiestruturadas junto à população ribeirinha. Foram registradas 180 espécies vegetais na área, distribuídas em 143 gêneros e 71 famílias. Desse total, 79 espécies (mais de 43%) possuem referência etnobotânica em literatura, contudo, apenas 10% dos entrevistados utilizam ou reconhecem alguma indicação para as plantas locais. Este constitui um dado importante considerando-se que a maioria afirma fazer uso de plantas medicinais industrializadas (adquiridas em farmácias ou supermercados) e/ou exóticas (cultivadas em canteiros próprios ou de vizinhos), além de possuírem plantas ornamentais. De uma forma geral, verifica-se que a vegetação ciliar do Riacho Águas Vermelhas tem diversidade florística menor que outras vegetações ciliares de tamanho equivalente descritas na região sudeste. Foi também constatado que a população ribeirinha tem interesse por plantas, mas desconhece a flora local e suas potencialidades. Essa falta de conhecimento dessa população deve-se provavelmente à ausência de trabalhos de educação ambiental que integrem a comunidade local.