Título
Gênero e Educação Ambiental: realidade e utopia na Pedagogia/Sede-IE/UFMT
Este estudo de caso objetiva conhecer a percepção de gênero e de ambiente de 10 (dez) discentes egressos de 2003, a maioria mulheres, do Curso de Pedagogia do Instituto de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso, no intuito de compreender a contribuição de gênero e Educação Ambiental (EA) para a formação das/os profissionais de educação, na vasta maioria docentes do ensino fundamental. Aplicamos um questionário e realizamos uma entrevista para tentar compreender, à luz da fenomenologia interpretativa, a percepção de cada sujeito de gênero, ambiente e EA. A literatura básica teve perspectiva interdisciplinar em Maurice Merleau-Ponty (fenomenologia), Leonardo Boff (gênero), Lucie Sauvé (ambiente) e Michèle Sato (educação ambiental). Com as narrativas, gestos, emoções e sentidos das diferentes histórias de vida e em um contexto sócio-histórico vivenciado de forma semelhante, pudemos nos aproximar das múltiplas verdades dos sujeitos envolvidos. As percepções de gênero (ainda) reservam uma abordagem androcêntrica de desigualdades entre os sexos, que reflete na interpretação dominante do ser humano sobre o ambiente (filosofia antropocêntrica) e, como esperada nesse fluxo tradicional, a educação ambiental é remetida numa perspectiva cartesiana de fragmentação do saber e de pouco reconhecimento sobre a luta ambientalista. Nas três cosmovisões (percepções de gênero: biológica, cultural e dialética), a identidade histórica dos sujeitos ainda permanece na herança da Modernidade, com alienação do ser humano com o ambiente, num enfoque masculino das relações sociais e na necessidade de se promover um diálogo educativo capaz de interiorizar a complexidade da Terra, na dinâmica social e ambiental.