Título
A participação comunitária no projeto Prualb - Benguela, Angola
Nesta dissertação investigamos se existiu processo participativo da população dos municípios de Lobito e Benguela durante a implantação do Projeto de Reabilitação Urbana e Ambiental de Lobito e Benguela (Prualb) em Angola, no período de 1992 a 1999, com financiamento principal do Banco Mundial. Constatamos que a participação comunitária foi dispersa e mais concentrada nas subcomponentes do Saneamento de Baixo Custo; entretanto, o projeto contribuiu para resgatar hábitos da tradição da cultura banto e a capacidade criativa das contrapartes angolanas que trabalharam diretamente no Prualb, esmagada durante mais de trinta anos de guerra civil. A pesquisa baseou-se no método da observação participante, entre outros, porque tivemos a oportunidade de trabalhar no Prualb como voluntária das Nações Unidas em Angola. Em linhas gerais, o Prualb não atingiu todas metas projetadas, mas proporcionou melhoria na qualidade de vida das populações residentes nos bairros periféricos, os musseques, pois contribuiu para a diminuição do número de doenças, uma vez que implantou sistemas de água, esgoto, coleta de lixo, efetuou o plantio de mudas de espécies arbóreas e promoveu a educação sanitária ambiental. O Prualb contribuiu para iniciar uma melhoria do meio ambiente local, pois interveio com ações integradas nos meios físico, biótico e socioeconômico. O desenvolvimento sustentável do Prualb não foi totalmente alcançado porque algumas tecnologias implantadas não puderam ser custeadas pelas Administrações Municipais, pois a capacidade de recuperação de custo na gestão dos serviços públicos em Benguela ainda é deficitária, mas conseguiu semear os princípios de tecnologias alternativas de baixo custo, que podem ser tão eficientes como tecnologias mais sofisticadas.