Título
Uma leitura ambientalista da comunicação no Ocidente
O objeto de estudo desta tese é a inter-relação da trajetória histórica da comunicação com a questão ambiental na cultura ocidental, ou seja, sobre como a démarche da comunicação foi um fator decisivo na construção de um determinado Lebenswelt, que tem como traço marcante uma relação de extrema dominação para com a natureza. A discussão envolve uma análise sobre a passagem da comunicação oral para a escrita, cuja generalização resultou numa domesticação da natureza e do homem. Ao contrário de outros sistemas de linguagem menos reificados, a inntrumentalidade da letra, transmutada em razão científica e política, foi uma condição fundamental para a estocagem do conhecimento, para a transformação da natureza (através da ciência e da técnica) e para a criação de Estados, hierarquias e sistemas de educação dominantes. Esse processo de reificação da comunicação é também um processo progressivo de ruptura entre o homem e o entorno que atinge seu ápice com o advento da sociedade industrial, na qual os universos reificados continuam a se expandir, em consequência da hegemonia da racionalidade instrumental. O estudo finaliza com uma apreciação de como a comunicação hoje – uma comunicação altamente sofisticada do ponto de vista técnico – continua a influenciar a nossa relação com o entorno, seja por meio de suas mensagens, seja pelo que é decorrente de sua própria estrutura. Com a globalização dos media, informações oriundas dos universos cientíifico, tecnológico e simbólico estão ajudando – sob a influência das corporações transnacionais – a consolidar uma visão instrumental da questão ambiental, tornando os processos de reificação e ruptura com o entorno ainda mais intensos.