Título
Industrializar, Preservar ou Conservar o meio ambiente: um trilema agroeducacional
A presente tese investiga os antagonismos, equivalências e/ou complementaridades nos itinerários da educação superior agronômica. O objeto de estudo é a rede de práticas discursivas aqui denominada trilema agroeducacional. Trata-se de Industrializar o meio ambiente (lucratividade do negócio agrícola), Preservá-lo (intocabilidade) ou Conservá-lo (sua sustentabilidade). Diferenciados pressupostos epistêmicos, estratégias de ensino-aprendizagem e processos de disciplinamento propiciam uma maior ênfase em enunciações relativas às práticas retromencionadas. Estudou-se como o corpo docente da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) lotado no Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais se envolveu nessa rede e foi tensionado, bem como tensionou o curso, para um daqueles enfoques. Na reconstituição da tessitura trilemática utilizou-se Foucault como referência teórica principal. A partir de uma amostragem de 38% do corpo docente do curso e do resgate das enunciações, constataram-se cerca de 60% de pontos de difração das práticas discursivas referentes à Industrialização e 40% concernentes à Conservação, além de um silêncio quanto à Preservação do meio ambiente. Utilizaram-se as técnicas de aplicação de um roteiro de entrevistas, gravação, transcrição e fichamento conforme procedimentos arqueogenealógicos de inspiração foucaultiana. Conclui-se pela predominânacia atual do enfoque da Industrialização, embora a singularidade da Conservação possa se estruturar para uma longa duração caso uma governamentalidade e éticas ecológicas se tornem imperativas a processos produtivos agrícolas limpos. Assim, uma produção de (id)entidades afins com a racionalização no uso do meio ambiente se tornaria cotidiana.