Título
Rede de relações: os sentidos da Educação Ambiental na formação de professores
Diante dos atuais desafios colocados para a educação, a inserção da Educação Ambiental nos processos de formação de professores/as vem constituindo-se como uma necessidade premente. Parto do pressuposto de que essa formação ocorre a partir de uma rede de relações, de múltiplas articulações entre vários contextos. Esta pesquisa explora, com uma diversidade de interpretações e de situações criadas, os vários contextos teórico-práticos, explícitos e implícitos, em que a Educação Ambiental vem se constituindo, disseminando-se, produzindo e distribuindo sentidos entre os professores e professoras no que se refere à sua formação. No movimento teoria-empiria, recorro a alguns autores para introduzir metáforas e ideias novas na rede de relações do conhecimento da Educação Ambiental. Procuro relacionar essas ideias com o vasto campo de estudo e atuação da Educação ambiental, bem como compreender e apreender tensões fundamentais para o entendimento das relações indivíduo-sociedade, sociedade-meio ambiente. Em face das grandes mudanças do contexto contemporâneo, tento apreender as redes de significados e de representações sobre a Educação Ambiental observando a forte influência que o ambientalismo exerce, ao longo de sua história, sobre a Educação Ambiental e a formação de cidadãos e cidadãs comprometidos com os valores da sustentabilidade. O enfrentamento das incertezas, da multiplicidade de visões, da exclusão, enfim, da complexidade tornam-se desafios para o/a professor/a. Dessa forma, este estudo também se configura como uma busca de bases conceituais e epistemológicas para desenvolver a Educação Ambiental em princípios que transitam entre a complexidade, a sustentabilidade, a interdisciplinaridade e a transdiciplinaridade. Durante todo o trajeto da pesquisa, há uma imersão nas interpretações. Sentidos são atribuídos e produzidos sobre a Educação Ambiental nos contextos de formação. Os sentidos ocorrem nos contextos de suas relações e nas interações dos contextos. Assim, para garantir a diversidade de interpretações e análises com outras possibilidades de abordagem, diferentes recursos são utilizados. Na tentativa de explorar contextos vividos, são entrevistados vinte professores/as egressos/as da Universidade Federal do Espírito Santos (UFES) e engajados/as em programas/projetos de Educação Ambiental. As entrevistas, como práticas discursivas, são interpretadas por meio de uma análise temática, emergindo problemas e temas recorrentes no debate sobre formação de professores/as. Além disso, estabeleço um paralelo entre as redes de significados sobre meio ambiente extraídas das mídias e os sentidos produzidos no discurso dos/as professores/as. As representações prevalecentes e os sentidos produzidos situam-se em concepções dualistas entre o sagrado e o profano, o bem e o mal, o conhecimento científico e o senso comum. Dessa forma, a lógica binária da separação, da disjunção, aflora no discurso das mídias sobre meio ambiente, fazendo eco nas práticas discursivas dos/as professores/as. Esse contexto imprime o deslocamento do conhecimento e das práticas educativas para além da escola. A partir de uma relação de equivalência semântica entre as palavras frequentes utilizadas nos discursos que impregnam a Educação Ambiental de sentidos, a análise é aprofundada. Os/as professores/as, ao falarem sobre a Educação Ambiental, compartilham expressões do próprio discurso pedagógico, como: despertar, alertar, sensibilizar e conscientizar. Essas palavras emergem com uma relação de dependência tal dos contextos que essa dependência pode ser atribuída à sua capacidade de auto-organização. Com o objetivo de ampliar e diversificar as informações e as interpretações, três professoras e um professor, atuantes em Educação Ambiental, dos cursos de formação de professores/as da Universidade Federal do Espírito Santo são entrevistados/as. Essas práticas discursivas são analisadas por meio de um outro recurso interpretativo, as “teias associativas”, um exercício de associação entre ideias dos sujeitos para apreender as representações e os sentidos compartilhados por esse contexto com as redes de significados e de representações dos egressos. Como este estudo não tem um fechamento conclusivo nem a pretensa homogeneidade e generalizações da ciência moderna, encerra-se com os desafios para se pensarem os processos de formação de professores/as por meio de uma ampla rede de relações, não deixando de atribuir a responsabilidade de articulação aos contextos instituídos.