Título

Rede de relações: os sentidos da Educação Ambiental na formação de professores

Programa Pós-graduação
Educação
Nome do(a) autor(a)
Martha Tristão Ferreira
Nome do(a) orientador(a)
Pedro Roberto Jacobi
Grau de Titulação
Doutorado
Ano de defesa
2001
Dependência Administrativa
Estadual
Resumo

Diante dos atuais desafios colocados para a educação, a inserção da Educação Ambiental nos processos de formação de professores/as vem constituindo-se como uma necessidade premente. Parto do pressuposto de que essa formação ocorre a partir de uma rede de relações, de múltiplas articulações entre vários contextos. Esta pesquisa explora, com uma diversidade de interpretações e de situações criadas, os vários contextos teórico-práticos, explícitos e implícitos, em que a Educação Ambiental vem se constituindo, disseminando-se, produzindo e distribuindo sentidos entre os professores e professoras no que se refere à sua formação. No movimento teoria-empiria, recorro a alguns autores para introduzir metáforas e ideias novas na rede de relações do conhecimento da Educação Ambiental. Procuro relacionar essas ideias com o vasto campo de estudo e atuação da Educação ambiental, bem como compreender e apreender tensões fundamentais para o entendimento das relações indivíduo-sociedade, sociedade-meio ambiente. Em face das grandes mudanças do contexto contemporâneo, tento apreender as redes de significados e de representações sobre a Educação Ambiental observando a forte influência que o ambientalismo exerce, ao longo de sua história, sobre a Educação Ambiental e a formação de cidadãos e cidadãs comprometidos com os valores da sustentabilidade. O enfrentamento das incertezas, da multiplicidade de visões, da exclusão, enfim, da complexidade tornam-se desafios para o/a professor/a. Dessa forma, este estudo também se configura como uma busca de bases conceituais e epistemológicas para desenvolver a Educação Ambiental em princípios que transitam entre a complexidade, a sustentabilidade, a interdisciplinaridade e a transdiciplinaridade. Durante todo o trajeto da pesquisa, há uma imersão nas interpretações. Sentidos são atribuídos e produzidos sobre a Educação Ambiental nos contextos de formação. Os sentidos ocorrem nos contextos de suas relações e nas interações dos contextos. Assim, para garantir a diversidade de interpretações e análises com outras possibilidades de abordagem, diferentes recursos são utilizados. Na tentativa de explorar contextos vividos, são entrevistados vinte professores/as egressos/as da Universidade Federal do Espírito Santos (UFES) e engajados/as em programas/projetos de Educação Ambiental. As entrevistas, como práticas discursivas, são interpretadas por meio de uma análise temática, emergindo problemas e temas recorrentes no debate sobre formação de professores/as. Além disso, estabeleço um paralelo entre as redes de significados sobre meio ambiente extraídas das mídias e os sentidos produzidos no discurso dos/as professores/as. As representações prevalecentes e os sentidos produzidos situam-se em concepções dualistas entre o sagrado e o profano, o bem e o mal, o conhecimento científico e o senso comum. Dessa forma, a lógica binária da separação, da disjunção, aflora no discurso das mídias sobre meio ambiente, fazendo eco nas práticas discursivas dos/as professores/as. Esse contexto imprime o deslocamento do conhecimento e das práticas educativas para além da escola. A partir de uma relação de equivalência semântica entre as palavras frequentes utilizadas nos discursos que impregnam a Educação Ambiental de sentidos, a análise é aprofundada. Os/as professores/as, ao falarem sobre a Educação Ambiental, compartilham expressões do próprio discurso pedagógico, como: despertar, alertar, sensibilizar e conscientizar. Essas palavras emergem com uma relação de dependência tal dos contextos que essa dependência pode ser atribuída à sua capacidade de auto-organização. Com o objetivo de ampliar e diversificar as informações e as interpretações, três professoras e um professor, atuantes em Educação Ambiental, dos cursos de formação de professores/as da Universidade Federal do Espírito Santo são entrevistados/as. Essas práticas discursivas são analisadas por meio de um outro recurso interpretativo, as “teias associativas”, um exercício de associação entre ideias dos sujeitos para apreender as representações e os sentidos compartilhados por esse contexto com as redes de significados e de representações dos egressos. Como este estudo não tem um fechamento conclusivo nem a pretensa homogeneidade e generalizações da ciência moderna, encerra-se com os desafios para se pensarem os processos de formação de professores/as por meio de uma ampla rede de relações, não deixando de atribuir a responsabilidade de articulação aos contextos instituídos.


Classificações

Contexto Educacional
Modalidades
Área Curricular
Modalidade: Regular
Data de Classificação:
06/03/2013