Título
Educação Ambiental nos assentamentos do MST
O presente trabalho apresenta a EA nos assentamentos do MST, tendo como objetivo geral analisar os princípios e a prática dos/as assentados/as sobre meio ambiente e EA nos assentamentos rurais da reforma agrária acompanhados pelo MST. Fiz observação em sete áreas do MST na Paraíba, conhecendo a concepção de meio ambiente, natureza e de EA das assentadas e assentados, tomando como amostra do questionário respondido pelos/as representantes de dezenove estados brasileiros, num total de 53 pessoas do MST, presentes no curso de História para Educadores do campus da UFPB em João Pessoa. Realizamos as visitas de observação conversando, fotografando e analisando os aspectos social, cultural e ambiental nessas áreas, considerando a intervenção da pesquisa-ação nos assentamentos Massangana III e Patativa do Assaré, PB. A abordagem metodológica foi a pesquisa participante citada acima, com dados da fenomenologia e da etnografia, considerando a realidade rural e a EA. Na pesquisa participante, o informante é conduzido à produção do conhecimento e se torna o sujeito dessa produção. Os instrumentos utilizados para complementar dados da intervenção participante foram os seguintes: o já citado questionário, com questões abertas e fechadas, a entrevista semiestruturada e a análise da prática, vendo a concepção de natureza, meio ambiente e EA dos participantes (recorrendo às categorias de Sauvé (1997), Reigota (2002a) e Tamaio (2002), entre outros). Além disso, consultei os documentos do MST e constatei que a EA existe na maioria dos assentamentos. No movimento, estão implementando essa realidade de forma massiva, com a base, e não com algumas famílias, e restrita a determinados locais, mas atuando nas escolas, nas famílias, nas associações e usando a agroecologia, sabendo que ainda é um desafio para se construir um mundo melhor, tendo claro que ainda levará anos, décadas, e talvez os filhos e netos colherão os frutos semeados. Um dos objetivos do MST é desenvolver tecnologias adequadas à realidade conservando e recuperando os recursos naturais, com um modelo agrícola autossustentável. Na organização da produção, o atual modelo tecnológico adotado na agricultura visa apenas ao lucro, o que compromete os recursos naturais para as futuras gerações, buscando o aumento da produtividade do trabalho das terras. Nos seus princípios, o MST deixa claro o cuidado com a terra, os seres vivos da natureza, melhorando os conhecimentos sobre a natureza e a agricultura, evitando a monocultura, o uso de agrotóxicos, combatendo todas as práticas de contaminação e agressão, produzindo alimentos para eliminar a fome da humanidade. O movimento, no processo educacional, tem despertado as pessoas para as preocupações ambientais, promovendo uma modificação nos valores e atitudes, propiciando a construção de habilidades e mecanismos necessários à sustentabilidade ambiental. Nos documentos e na prática, o MST demonstra o cuidado com a natureza. A EA acontece de forma mais coerente, quando a terra já foi legalizada, e as famílias estão bem mais estruturadas com acompanhamento do MST, dos técnicos, com recursos e assistência em todos os sentidos.