Título
Educação ambiental na colaboração entre museus e escolas: limites, tensionamentos e possibilidades para a realização de um projeto político-pedagógico emancipatório
Esta tese de doutorado é fruto de uma reflexão sobre uma ação de “popularização da ciência” que se realizou segundo uma perspectiva da “educação ambiental crítica”. Fundamentando-se principalmente em Marx, Gramsci e Paulo Freire e seguindo o método dialético no contexto de um trabalho colaborativo entre museus pertencentes a instituições de pesquisa científica e escolas públicas localizadas em regiões vizinhas a eles, o problema investigado foi: que conhecimentos e estratégias podem contribuir para que ações de “popularização da ciência” se deem a partir da práxis de um projeto político-pedagógico emancipatório? A discussão do problema emana dos seguintes pontos: que limitações, tensionamentos e possibilidades estiveram presentes neste trabalho por ele estar inserido em uma estrutura de “capitalismo mundializado”? De que forma a experiência adquirida a partir da realização deste trabalho pode contribuir para o enfrentamento dos limites que foram identificados na colaboração entre museus e escolas? Que princípios teórico-metodológicos, estratégias educativas e tipos de atividades podem ajudar a promover avanços nessa colaboração entre os museus e as escolas? Nesse sentido, a tese reflete sobre a importância dos convênios interinstitucionais para que as ações de colaboração entre museus e escolas possam mais efetivamente contribuir para a construção de políticas públicas, ampliando assim seus impactos sociais. A ação sobre a qual esta tese reflete permitiu problematizar conceitos e estratégias teórico-metodológicas referentes às ações de “educação ambiental crítica” e de “popularização da ciência”, porque o foco do trabalho não foi simplesmente o tema ambiente ou os conhecimentos científicos, mas os princípios político-pedagógicos e a metodologia de construção de conhecimentos a partir da problematização da realidade de vida. Tal metodologia concorreu para o desenvolvimento de ações e reflexões que, tomando por base o quotidiano de comunidades economicamente desfavorecidas, buscou respostas mais efetivas para as necessidades e interesses coletivos. Sobre os limites impostos pelo “capitalismo mundializado” a essas ações, destaca-se o debate relativo às causas e consequências do limite da “falta de tempo” para a concretização de um trabalho crítico e reflexivo de “co-laboração” (Freire). A partir dessa discussão, os conceitos de “trabalho alienado” e “cooperação” de Marx foram utilizados para analisar o envolvimento dos educadores nas ações desenvolvidas. Essa análise permitiu sustentar a tese de que a “co-laboração” (Freire) entre museus e escolas pode gerar uma “força coletiva” (Marx) que se constitui em um importante elemento para o envolvimento autônomo e autodeterminado, ou seja, não alienado, dos educadores, em trabalhos orientados por um projeto político emancipatório. Da análise feita extraiu-se uma proposta que visa potencializar o processo de construção dessa “força coletiva”, de forma a favorecer a ampliação das redes sociais de colaboração entre a educação formal e a não formal. Com este trabalho busca-se contribuir para promover uma reflexão-ação sobre o papel da colaboração entre museus e escolas na construção da nova hegemonia cultural (Gramsci) que se faz necessária para se constituir uma sociedade mais equânime, democrática, prudente, prospectiva e socioambientalmente responsável.